EUA estudam respostas a uma possível escalada de violência da Rússia na Ucrânia


Com as crescentes preocupações de que Vladimir Putin vai escalar a guerra da Rússia na Ucrânia, os EUA estão considerando como responder a uma série de cenários potenciais, incluindo temores de que os russos possam usar armas nucleares táticas, de acordo com três fontes informadas sobre as últimas informações de inteligência.

Desde o início do conflito, os EUA vêm desenvolvendo planos de contingência para responder, incluindo a possibilidade de que o presidente da Rússia possa escalar um passo próximo a um ataque nuclear à Ucrânia, por meio do que uma fonte descreveu como uma “exibição nuclear”, como como um possível ataque militar à usina nuclear de Zaporizhzhia, ou a detonação de um dispositivo nuclear em grandes altitudes ou longe de áreas povoadas.

Autoridades alertam que os EUA não detectaram preparativos para um ataque nuclear. No entanto, especialistas os veem como opções potenciais para as quais os EUA devem se preparar à medida que a invasão da Rússia vacila e Moscou anexa mais território ucraniano.

Autoridades dos EUA também tomaram nota sombria das repetidas ameaças públicas do presidente russo de usar armas nucleares. Em um discurso televisionado no final do mês passado, Putin disse: “Se a integridade territorial de nosso país estiver ameaçada, sem dúvida usaremos todos os meios disponíveis para proteger a Rússia e nosso povo. Isso não é um blefe”.

Na sexta-feira (30), em uma cerimônia em que anunciou a anexação ilegal de quatro regiões ucranianas, Putin disse que a Rússia usará “todos os meios disponíveis” para defender as áreas, acrescentando que os EUA “criaram um precedente” para ataques nucleares nos atentados de Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial.

“Putin é capaz de qualquer coisa”, disse à CNN o deputado democrata Mike Quigley, de Illinois, membro do Comitê de Inteligência da Câmara. Embora observando que ainda não há evidências de preparativos para tal ataque, Quigley acrescentou: “Você precisa levá-lo a sério”.

Os EUA estão estudando a variedade de cenários potenciais para ter planos de contingência para como eles e seus parceiros responderiam a tais ataques. O potencial para uma “exibição nuclear” é considerado uma opção se Putin não chegar a ordenar um ataque nuclear às forças ou centros populacionais ucranianos, optando pelo que um funcionário descreveu como uma “demonstração de bravura”.

Um ataque nuclear ainda é considerado improvável, embora a preocupação entre as autoridades dos EUA sobre o potencial de tal ataque tenha crescido nas últimas semanas. “A derrota”, disse uma fonte informada sobre a inteligência, “não é uma opção para Putin”.

O secretário de Defesa, Lloyd Austin, disse em uma entrevista exclusiva à CNN transmitida no domingo (2) que não viu nada que sugira que Putin decidiu usar armas nucleares na Ucrânia.

“Para ser claro, o cara que toma essa decisão, quero dizer, é um homem”, disse Austin sobre as ameaças russas de armas nucleares em entrevista ao Fareed Zakaria da CNN no “Fareed Zakaria GPS”.

“Não há verificações sobre o Sr. Putin. Assim como ele tomou a decisão irresponsável de invadir a Ucrânia, você sabe, ele pode tomar outra decisão. Mas não vejo nada agora que me leve a acreditar que ele tomou tal decisão.”

Embora tenha havido uma crescente oposição pública à guerra dentro da Rússia, os EUA acreditam que Putin está sob maior pressão de nacionalistas linha-dura, que estão pedindo uma maior escalada do conflito, disse uma fonte informada sobre a inteligência.

Questionado sobre a reportagem da CNN sobre o “New Day” na segunda-feira (2), John Kirby, coordenador do Conselho de Segurança Nacional para comunicações estratégicas, disse que os EUA estão “de perto” observando as ações da Rússia na usina de Zaporizhzhia em meio a preocupações de que Putin possa escalar sua guerra com a Ucrânia e tem “pensado” a resposta para qualquer uso potencial de armas nucleares pela Rússia.

Embora os EUA não tenham visto nada que tenha mudado a postura estratégica dos EUA, “estamos observando isso o mais de perto possível”, disse Kirby, acrescentando: “Levamos essas ameaças a sério”.

(*Correspondente chefe de segurança nacional)

Este conteúdo foi originalmente publicado em EUA estudam respostas a uma possível escalada de violência da Rússia na Ucrânia no site CNN Brasil.