Mercado age com cautela nesta “super-quarta”, à espera de decisões do Fed e BC


A super quarta-feira chegou, e parece que a ansiedade dos mercados não vai ser reduzida tão cedo. As expectativas para as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central (BC) brasileiro vivem no campo da probabilidade, embora investidores já trabalhem com pessimismo no horizonte.

Começando pelo Brasil, o mais provável, segundo analistas de mercado, é que o Comitê de Política Monetária (Copom) pare de subir os juros e encerre este que foi o maior ciclo de elevação da Taxa Selic desde o início do sistema de metas, em 1999. Se a escolha for de realmente estacionar nos 13,75% ao ano, o BC terá que usar a comunicação para manter o mercado na direção desejada e ancorar as expectativas.

São duas palavrinhas mágicas aqui: vigilância e permanência. O BC deve reforçar que vai se manter atento à trajetória da inflação, enquanto sustenta que a Selic não deve começar a cair tão cedo.

Caso opte por uma pequena alta — mais simbólica do que monetária — para levar a Selic em 14%, serão dois os instrumentos para reforço deste mesmo recado: parte vai estar embutida nesse movimento, parte na comunicação que sucede a decisão.

Nos Estados Unidos, por outro lado, o ritmo é de aceleração da taxa de juros. A incerteza não está mais no que o Fed deve fazer nesta quarta, mas a quando é que será o ponto final do ciclo de aperto monetário, que começou muito depois do brasileiro. Segundo previsões, o teto deve ser de 4% a 5%, o que, mesmo na menor ponta, já leva a taxa de juros ao mais patamar em mais de 15 anos.

Isto é o que Jerome Powell chamou de “dor” que os norte-americanos terão que sentir enquanto o combate à inflação segue a todo vapor. Uma taxa de juros em níveis assim pode levar o país a um crescimento baixo, ao aumento do desemprego e, possivelmente, uma recessão.

Segundo levantamento da Bloomberg, mais de 90 países estão subindo a taxa de juros em tentativa de lidar com o choque inflacionário sem precedentes na economia global, dos quais metade tem tomado a decisão de subir a taxa de juros em ao menos 0,75 p.p. Só nessa semana, são 12 bancos centrais esperados para anunciar decisões de política monetária.

Apresentado por Thais Herédia e Priscila Yazbek, o CNN Money apresenta um balanço dos assuntos do noticiário que influenciam os mercados, as finanças e os rumos da sociedade e das dinâmicas de poder no Brasil e no mundo.

*Publicado por Tamara Nassif

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