Centenas de crianças estão entre as mil vítimas de chuvas de monção no Paquistão


As fortes chuvas e inundações mataram pelo menos 1.033 pessoas, incluindo 348 crianças, e deixaram mais 1.527 feridos no Paquistão desde meados de junho, disseram autoridades neste domingo (28).

A Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do país (NDMA, em inglês) acrescentou que 119 pessoas morreram e 71 ficaram feridas apenas nas últimas 24 horas.

Pelo menos 33 milhões de pessoas foram afetadas pelo desastre, disse a ministra de Mudanças Climáticas do Paquistão, Sherry Rehman, na quinta-feira (25). Ela chamou as inundações de “sem precedentes” e “o pior desastre humanitário desta década”.

“O Paquistão está passando por seu oitavo ciclo de monções, enquanto normalmente o país tem apenas três a quatro ciclos de chuva”, disse Sherry. “As porcentagens de torrentes de super inundação são chocantes”.

Ela destacou em particular o impacto no Sul do país, acrescentando que os esforços “máximos” de socorro estão em andamento.

O destacamento do exército foi autorizado para ajudar nas operações de socorro e resgate em áreas atingidas pelas enchentes, disse o Ministério do Interior do país em comunicado na sexta-feira (26).

O ministério disse que as tropas ajudariam os quatro governos provinciais do Paquistão, incluindo a província mais atingida do Sudoeste do Baluchistão.

O número exato de tropas, bem como onde e quando elas serão enviadas, serão definidos entre as províncias e o governo, disse o ministério.

Enquanto isso, centros de socorro às inundações estão sendo estabelecidos em várias partes do país para auxiliar na coleta, transporte e distribuição de produtos de socorro às vítimas, disseram as Forças Armadas do Paquistão.

As tropas do Exército também estão direcionando as pessoas para lugares mais seguros, fornecendo abrigo, refeições e assistência médica, disseram as Forças Armadas.

A província de Sindh, no Sul, que foi gravemente atingida pelas inundações, pediu 1 milhão de barracas, enquanto a província vizinha do Baluchistão – em grande parte sem eletricidade, gás e internet – solicitou 100 mil barracas, disse Sherry.

“A prioridade do Paquistão, no momento, é esse desastre humanitário induzido pelo clima de proporções épicas”, disse Sherry, instando a comunidade internacional a fornecer ajuda devido aos recursos “limitados” do Paquistão.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Sharif, informou diplomatas internacionais sobre a crise, afirmando que seu país – na linha de frente das mudanças climáticas, apesar de uma pegada de carbono relativamente pequena – deve focar sua reabilitação em uma maior resiliência às mudanças climáticas.

O ministro do Planejamento e Desenvolvimento, Ahsan Iqbal, disse separadamente à Reuters que 30 milhões de pessoas foram afetadas, um número que representaria cerca de 15% da população do país do Sul da Ásia.

A agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, em inglês) disse em uma atualização na quinta-feira que as chuvas de monção afetaram cerca de 3 milhões de pessoas no Paquistão, das quais 184 mil foram deslocadas para campos de ajuda humanitária em todo o país.

Os esforços de financiamento e reconstrução serão um desafio para um Paquistão sem dinheiro, que está tendo que cortar gastos para garantir que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprove a liberação do tão necessário dinheiro do resgate.

A NDMA disse em um relatório que, nas últimas 24 horas, 150 quilômetros de estradas foram danificadas em todo o país e mais de 82 mil casas foram parcial ou totalmente danificadas.

Desde meados de junho, quando a monção começou, mais de 3.000 quilômetros de estrada, 130 pontes e 495 mil casas foram danificadas, de acordo com o último relatório de situação da NDMA, números também ecoaram no relatório da OHCA.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Centenas de crianças estão entre as mil vítimas de chuvas de monção no Paquistão no site CNN Brasil.


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