Brasileiros são empossados cardeais; veja como funciona o grupo que elege o papa


Os brasileiros Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, e Dom Paulo Cezar, arcebispo de Brasília, tomam posse como cardeais da Igreja Católica neste sábado (27). Os religiosos neste grupo são os principais conselheiros do Pontífice e administradores do Vaticano e ao redor do mundo.

Eles foram escolhidos pelo Papa Francisco no dia 29 de maio deste ano e assumirão o cargo com outros 18. Ambos têm menos de 80 anos, podendo integrar o colégio eleitoral que escolherá o próximo papa.

Francisco, eleito Pontífice em 2013, escolheu 83 dos 132 cardeais eleitores, cerca de 63% do grupo.

Quem são Dom Paulo e Dom Leonardo

Dom Leonardo Ulrich Steiner nasceu em 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ele será o primeiro cardeal da região amazônica.

Dom Leonardo ingressou na Ordem dos Frades Menores (OFM) em 1972, estudou Filosofia e Teologia nos Franciscanos de Petrópolis e foi ordenado sacerdote em 21 de janeiro de 1978. Quem o ordenou foi o cardeal Paulo Evaristo Arns, seu primo.

Também é bacharel em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Salesiana de Lorena e teve Licenciatura e Doutoramento em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, de Roma. De 1995 a 2003 foi Professor de Filosofia e Secretário do Antonianum.

Em 2 de fevereiro de 2005 foi nomeado bispo para Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). A ordenação episcopal aconteceu no dia 16 de abril daquele ano..

Entre 2011 e 2019, Dom Leonardo ocupou o cargo de Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Em 27 de novembro de 2019, o Papa Francisco o nomeou arcebispo de Manaus, e, em abril de 2022, foi escolhido como presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia pela CNBB.

Em entrevista à Vatican News, Dom Leonardo afirmou que a nomeação mostra o afeto, proximidade e compromisso do Papa Francisco com a região amazônica.

“Pessoalmente, a escolha leva-me a buscar uma vida mais simples, uma maior proximidade com os sofredores e pobres, a servir em comunhão com os irmãos no episcopado. Admirar a fé e a solidariedade das nossas comunidades”, disse.

Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus, fala na coletiva de imprensa de abertura da campanha de Natal Adveniat
Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus, fala na coletiva de imprensa de abertura da campanha de Natal Adveniat / Guido Kirchner/picture Alliance via Getty Images

Dom Paulo Cezar Costa nasceu em 20 de julho de 1967 em Valença, no Rio de Janeiro. Ele completou os estudos em Filosofia no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e em Teologia no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Dom Paulo recebeu ordenação sacerdotal em 5 de dezembro de 1992, sendo encaminhado para a diocese de Valença.

Ele foi diretor e professor do departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro entre 2007 e 2010 e diretor do Instituto Paulo VI de Filosofia e Teologia de Nova Iguaçu entre 2006 e 2010.

O religioso é, atualmente, integrante do grupo de bispos consultivos do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), presidente do Grupo de Análise de Conjuntura Eclesial da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e responsável pelo Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB. Dom Paulo também é membro do Conselho Permanente da CNBB e da Pontifícia Comissão para América Latina.

Ele tomou posse como arcebispo de Brasília em 12 de dezembro de 2020, cargo escolhido pelo Papa Francisco em 21 de outubro daquele ano.

Em entrevista à Vatican News, Dom Paulo falou sobre a nomeação como cardeal: “Significa a confiança do Papa, mas significa também responsabilidade de buscar, levar adiante aquilo que o Papa Francisco pensa para a Igreja, o que o Papa Francisco quer para a Igreja. O Papa Francisco quer uma Igreja próxima, evangelizadora, uma Igreja missionária”.

Dom Paulo Cezar, arcebispo de Brasília
Dom Paulo Cezar, arcebispo de Brasília / Reprodução/Vatican News

Como funciona o colégio eleitoral

O Papa pode nomear cardeais, que são seus principais conselheiros e administradores do Vaticano. Muitos deles permanecem por lá, mas outros continuam os trabalhos em dioceses ao redor do mundo.

Aqueles com menos de 80 anos são cardeais eleitores, ou seja, participam da cerimônia chamada “conclave”, que elege um novo Pontífice no caso da morte do que estava no cargo ou renúncia.

Francisco, eleito Pontífice em 2013, escolheu 83 dos 132 cardeais eleitores, cerca de 63% do grupo. A lei da Igreja estipula um máximo de 120 eleitores, mas os papas ignoram isso regularmente, principalmente porque o número de escolhidos diminui à medida que outros cardeais completam 80 anos e perdem a elegibilidade para votar.

Os cardeais se juntam presencialmente na Capela Sistina, onde a eleição é feita por meio de cédulas — eles não podem votar em si mesmos. Aquele que obtiver dois terços do eleitorado é será o novo papa.

Se não houver maioria, uma nova votação acontece — e a fumaça preta sai da chaminé do Vaticano. Isso prossegue até que um novo Pontífice seja escolhido. Quando isso acontece, a fumaça branca anuncia o consenso.

*com informações da Reuters, CNN e da Vatican News

Este conteúdo foi originalmente publicado em Brasileiros são empossados cardeais; veja como funciona o grupo que elege o papa no site CNN Brasil.


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