Roteiro 48 horas: uma viagem gastronômica por Buenos Aires


Sua mãe sempre te ensinou: não é porque todo mundo vai que você precisa ir também. A questão é que com os posts nas mídias sociais, o câmbio favorável e as promoções de voos, passar um final de semana em Buenos Aires virou uma necessidade. Ao menos para quem é glutão!

Além de acalmar estômagos insaciáveis, a cidade satisfaz a busca por diversidade e arte. Dois dias podem até não ser suficientes para descobrir tudo, porém, de restaurante em restaurante, um final de semana te surpreenderá.

Dia 1

As 48 horas só começam a correr ao pisar na capital argentina. E, sim, elas voam. Portanto, certifique-se de escolher uma localização estratégica como a do Home, um hotel boutique em Palermo Hollywood, com diárias a partir de US$ 130 e um belo jardim com piscina.

Outra vantagem é que seu café da manhã é à la carte, o que te fará refletir se vale a pena pedir ovos benedicts, iogurte de búfala e medialuna (o croissant adocicado venerado pelos portenhos) de uma só vez ou guardar espaço para os cafés que pululam pela cidade.

Home, um hotel boutique em Palermo Hollywood / Divulgação

Supondo que você chegará às duas da tarde da sexta para o check-in, apresse-se em deixar a bagagem e caminhe até o Picaron. São menos de 20 minutos para te deixarem prontinho para os picarones (um bolinho de chuva de batata doce laranja), a berinjela queimada, o maialino (pancetta curada) tonnato, o abacate assado e o sorvete de chocolate com missô e gergelim.

Pela curta distância e a grande fome, você pode não ter reparado, mas já não está em Palermo e sim em Chacarita, o bairro mais efervescente da gastronomia local. Calma! Nem por isso você deve correr a outro restaurante. A maratona só está começando e você está ao lado da Falena.

A livraria/ biblioteca Falena / Fernanda Meneguetti

Os títulos de poesia, moda, artes plásticas e cozinha são escolhidos a dedo por Marcela Giscafré que, ao mesmo tempo, cuida do jazz na vitrola, do fogo na lareira, da galga que habita o lugar e ainda oferece um café.

Ou uma tacinha de vinho: “Apesar de ser preciso tocar a campainha, não é uma livraria a portas fechadas. É uma biblioteca sem guarita, que permite que quem entre sinta intimidade com os livros”.

Saindo de lá, dê alguns passos rumo a happy hour. No La Fuerza, os vermutes artesanais protagonizam versões de negroni, spritz e até caipirinha de tangerina. Vão tão bem com a fainazetta (massa de grão de bico com mozzarella, cebola carameliza e cebola roxa crocante), que provocam o apetite!

Por sorte, você está a poucos metros do ApuNena, o acolhedor filipino que serve tapas asiáticas inspiradas nas receitas da avó da chef Christina Sunae.

Vale pedir o bola bola (bao recheado com porco, camarão e shitake), a kaliskis (“empanada” folhada de lula) e o lumpia y maní (rolinhos de vegetais, macarrão de arroz, ervas frescas e molho de amendoim). Tudo casa perfeitamente com o branco (torrontés) da casa e não pesa.

Em outras palavras, o tour pode continuar pela vizinhança mesmo. Que tal no NaNum? Nesse coreano-portenho de Marina Lis Ra há kimchi quente e de verduras da estação.

A mesma originalidade se nota no ceviche de mexilhões (com suco de kimchi, romã e granola de trigo sarraceno) e no ganjang tteokbokki (“nhoques” de arroz que ora vêm com cogumelos, ora com grana padano, ora com lagostim). Saideira? Bem ali, o gim tônica de chá de jasmim é suficiente para encerrar os trabalhos!

Dia 2

Uma dose de cafeína ou um dos chás artesanais do hotel podem despertar suas papilas para as próximas 24 horas de gula.

Uma vez alertas, caminhe ao Oli Café. A pé são 5 minutinhos, já a fila… Aproveite para cultivar as próprias lombrigas espiando a vitrine de doces e folhados do dia. Na dúvida? Um croissant impecável com queijo e presunto e uma fatia de selva oli (uma floresta negra cheinha de doce de leite) resolvem!

Oli Café / Fernanda Meneguetti

Ok, comida é cultura e você já viajou por diferentes tradições argentinas e regiões asiáticas até aqui. Ainda assim, que tal um respiro?

A Masterplan organiza caminhadas culturais como a de street art. Em cerca de três horas (versões mais curtas são negociáveis), Gimena Bilbao apresenta a gênese do movimento na Argentina e uma série de muros e artistas emblemáticos que estampam Palermo e Colegiales, o bairro vizinho.

Aliás, se ao cabo, a fome ainda não tiver dado as caras, no limite entre eles fica o Mercado de las Pulgas. Um galpãozão cheinho de antiguidades por dentro e grafites por fora, que podem exercitar os conhecimentos recém-adquiridos.

Mercado de las Pulgas / Gimena Bilbao

Enfim, hora daquela arte que nos move – a gastronômica.

Como não poderia deixar de ser, em Buenos Aires ela se expressa na parrilla. No caso do La Carnicería, em seu entorno também.

Primeiro business de dois chefs inquietos e criativos, Germán Sitz e Pedro Peña, o Carni deu um olhar irreverente ao tradicional “asado”. Desde sempre a carne é de pasto e vem de uma cooperativa de La Pampa, fundada pela família de imigrantes judeus da Germán.

Desperdício é uma palavra que nem passa perto do curto menu: o tutano serve de manteiga para o pão, os chinchulines (intestinos) viram snacks crocantes com ótimos picles, a costela é defumada. Além disso, todos os embutidos são feitos ali.

Sem grandes esforços, uma mesa de quatro pessoas gulosas gabarita as entradas e dois cortes.

La Carni / Fernanda Meneguetti

Feito isso, estique as pernas para a sobremesa. Da mesma dupla, a Juan Pedro Caballero é uma taquería e churrería e tem uma obscenidade chamada lemon pie, um churro “chido” (bonitão e “muy bueno”), com curd de limão e merengue.

A próxima parada também será em mais uma casa dos meninos. Antes, porém, recomendamos uma siesta!

Juan Pedro Caballero é uma taquería e churrería / Fernanda Meneguetti

Recuperado, aí, sim, dirija-se ao case Niño Gordo. Provavelmente, trata-se do restaurante mais festivo do país. Queridinho por chefs, artistas e celebridades é um match perfeito entre ambiente e cozinha.

Ali, jamais te recriminarão se você quiser bancar a criança gordinha com olho maior que a barriga, contudo, certifique-se de chegar reservando o katsu sando, pois há quantidade limitada do tenríssimo corte de novilho usado para recheá-lo.

Katsu Sando do Niño Gordo / Fernanda Meneguetti

Ainda que você saia rolando de lá, nada melhor para a digestão do que uma andada e um “bajativo”, aquele drink que funciona como chá de boldo – com a diferença de ser delicioso, obviamente.

A dica? Partir ao CôChinChina e se acabar no “la vida que me merezco”, criação da prestigiada barwoman Inés de los Santos com tequila prata, cordial de abacaxi e baunilha.

Dia 3

Contando que seu primeiro dia começou às 14h, as 48 horas só se esgotarão às 14h, certo? Sem desespero, pergunte se rola um late check-out, mas se você estiver viajando com uma mochila levante pronto para embarcar.

Na rua de trás do Home fica o Las Flores, um novo e hypado jardim que abriga um café só com itens sem glúten. Ainda que com um pé atrás, vale provar o alfajor de maisena, o bolo de cenoura e especiarias e a tostada com cogumelos.

Caso caiba na sua agenda, às 11h começa a feirinha de Palermo, na Plaza Serrano, com objetos de design, roupas vintage e afins. Senão, o melhor é economizar as mordidas matinais e correr para o Café Mishiguene. Afinal, amamos despedidas em grande estilo!

Cafe Mishiguene / Fernanda Meneguetti

Por lá, percorra a Israel do premiado chef Tomas Kalika por meio de pães assados na hora, homus variados, falafel, picles caseiros, truta defumada, sanduichinhos de pastrame, babkas e o que mais der tempo de devorar até o seu embarque.

Inevitavelmente, você partirá com vontade de ficar. Quer um prêmio de consolação? Low costs como a Flybond propõem ida-e-volta por uns R$ 600 recorrentemente e mesmo que não deem direito ao despacho de bagagem, na mão mesmo, você pode trazer 6 garrafas de vinho!


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