Lázaro Ramos em “Papai é Pop”: “Sonhava em falar de paternidade no cinema”


Quando se tornou pai, o ator Lázaro Ramos se sentiu um tanto sozinho.

“Eu queria falar sobre paternidade e não encontrei eco entre meus amigos”, diz. “A gente fez até um grupo de WhatsApp pra falar sobre o assunto, mas aí a conversa se transformava em outra coisa: futebol, trabalho etc.”

Em entrevista à CNN, o ator comenta que foi por meio da atuação que ele encontrou espaço para a discussão sobre ser pai.

Com o convite do diretor Caíto Ortiz, Lázaro se tornou o protagonista da adaptação do livro “Papai é Pop”, escrito por Marcos Piangers.

“Quando a gente começou o filme, imaginei que seria a história de um pai com as filhas, meio água com açúcar”, diz Marcos, que participou da adaptação para o cinema. “Mas aí vem o diretor, o roteirista, o Lázaro e cada um entrega um pouco da sua paternidade”.

 

Com Paola Oliveira, Elisa Lucinda e Leandro Ramos também no elenco, “Papai é Pop” conta a história de Tom, um pai de primeira viagem que não sabe lidar com o nascimento da sua filha.

Ele enxerga em Elisa (Paola Oliveira), uma mãe e esposa muito exigente, que não vê com bons olhos ele jogando futebol enquanto ela atravessa o puerpério, por exemplo.

Ajudando o casal, está a mãe de Tom, Gladys (Elisa Lucinda) que, sendo mãe solo, tenta mostrar a ele o que é necessário para ser um bom pai.

O humor é o ponto alto do filme e permeia discussões importantes dentro do longa, que chegam a ser muito duras fora do cinema: abandono parental, crises conjugais e adoção.

Para Lázaro Ramos, por mais polêmica que seja a situação, o humor é o jeito do brasileiro ver o mundo.
“Acredito muito nesse tipo de comédia. A que vai te dar uma rasteira e vai te levar para um tipo de emoção que você não sabia que teria assistindo a um filme como esse”, diz o ator.

Na história, Tom vai, aos poucos, entendendo que a paternidade é muito mais complexa do que as redes sociais mostram. Ao conversar com um amigo igualmente negligente, o chama de “pai de selfie”, dizendo que ele só é pai para mostrar para os seguidores do Instagram.

O diretor Caíto Ortiz mostra que o filme foi construído de forma muito orgânica, com a contribuição de todos os homens e mulheres que participaram da produção.

“É uma história de uma família. Fizemos esse arco do herói em cima das convenções que o livro apresentava”, diz ele. “E o fato de termos um homem preto e uma mulher branca também já diz um pouco que estamos falando sobre a formação da família brasileira.”

O roteirista-chefe foi Ricardo Hofstetter, mas, segundo, Caíto, a roteirista Maíra Oliveira foi chamada para dar os retoques finais.

“São muitos os assuntos tratados no filme, mas nenhum deles funciona como pauta central de ‘O Papai é Pop’. Mesmo assim, a Maíra escreveu algumas cutucadas, melhorou as personagens mulheres, e colocou um pouco mais de crítica social”.

Crítica social que, novamente, sempre vem acompanhada da comédia. Ao ir para o hospital correndo, o personagem de Lázaro Ramos tenta pegar um táxi, não consegue de primeira, e pede a Deus para que ninguém o veja como homem negro, pelo menos naquele momento.

Relações familiares brasileiras

Como imaginado, há muitas cenas com atores mirins no filme e, consequentemente, muito improviso.

“A gente iluminou a casa, o cenário, para que as crianças pudessem ficar livres”, diz o diretor Caíto Ortiz. “Então elas conseguiram correr muito, e o Lázaro e a Paola iam atrás, brincando, e as crianças devolviam suas reações e improvisavam com as atuações”.

Os bebês e as crianças, portanto, conduziram os atores mais velhos, assim como um filho na vida real. Diante disso, toda a equipe reviveu muitos momentos da própria paternidade durante a produção do longa.

“Tem muito de todos os homens que participaram desse filme”, diz o autor Marcos Piangers.  “Principalmente vivendo em um país que não incentiva a paternidade, que diz não precisa cuidar, que tem uma licença paternidade curta demais, que não tem trocador de fralda no banheiro masculino.”

Tais dificuldades são tratadas explicitamente no filme, porém, para Lázaro, “Papai é Pop” é, antes de tudo, um filme sobre relações familiares.

“A gente fala sobre a experiência da paternidade, da maternidade, mas também sobre a parceria que os dois precisam ter para criar seres humanos plenos.”

O ator acredita que a discussão ao redor desses temas não vai terminar assim que as luzes da sala de cinema se acenderem.

“Tenho certeza que as famílias vão sair, vão pra casa e vão conversar, talvez, de uma maneira mais leve sobre assuntos muito tensos”.

O filme “Papai é Pop” chega aos cinemas nesta quinta-feira (11).

Este conteúdo foi originalmente publicado em Lázaro Ramos em “Papai é Pop”: “Sonhava em falar de paternidade no cinema” no site CNN Brasil.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.