Taxa de obesidade infantil aumenta nos Estados Unidos, diz estudo


Apesar dos esforços de escolas e da comunidade para promover comportamentos saudáveis ​​dos jovens, a obesidade infantil está se tornando mais comum nos Estados Unidos, segundo um estudo recente.

A pesquisa, publicada na terça-feira (5) na revista “Pediatrics”, acompanhou dois grupos nacionalmente representativos de crianças do jardim de infância à quinta série – com idades entre 6 e 11 anos. O primeiro grupo foi estudado de 1998 a 2004, e o segundo grupo foi estudado de 2010 a 2016 .

Cerca de 16,2% das crianças que não tiveram problemas de peso quando entraram no jardim de infância em 2010 estavam obesas no final da quinta série. Este valor era de 15,5% nos participantes na mesma categoria de 1998. Além disso, as crianças estudadas em 2010 tornaram-se obesas em idades mais jovens do que as do grupo de 1998.

Em ambos os grupos, as crianças que estavam acima do peso durante os anos pré-escolares tinham um risco significativamente maior de obesidade do que aquelas que estavam dentro do parâmetro, descobriram os pesquisadores.

“Uma vez que você entra nesse trem para o ganho de peso elevado, é muito difícil dar a volta por cima, então a prevenção do sobrepeso e da obesidade cada vez mais cedo é muito importante”, disse Solveig Argeseanu Cunningham, primeiro autor do estudo e professor associado de saúde global e epidemiologia na Emory University, em Atlanta.

A obesidade ocorre quando uma pessoa tem acúmulo excessivo de gordura que apresenta risco à saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Adultos que têm um índice de massa corporal (IMC) – um cálculo baseado em sua altura e peso – acima de 30 são considerados obesos. A obesidade infantil é medida não pelo IMC exato, mas pela comparação com outras crianças da mesma idade e sexo. Aqueles que estão no percentil 95 do IMC para sua idade e sexo são considerados obesos, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

A obesidade é um importante fator de risco para muitas doenças, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer e casos graves de Covid-19, de acordo com a Clínica Mayo.

“Sem intervenção, continuaremos a ver o aumento da prevalência e gravidade da obesidade para crianças em idades mais jovens, o que tem consequências realmente negativas, não apenas para elas, mas também para seus futuros filhos”, pontuou a doutora Jennifer Woo Baidal, diretora da Iniciativa de Obesidade Pediátrica da Universidade de Columbia, em Nova York. Ela não participou do estudo.

Fatores de risco da obesidade infantil

Como a pesquisa analisou crianças antes da disseminação da Covid-19, não leva em conta os efeitos da pandemia na obesidade infantil. No entanto, alguns médicos suspeitam que as taxas continuem a aumentar, especialmente entre crianças de cor.

Esse grupo, e especialmente crianças negras e hispânicas, estavam em maior risco de desenvolver obesidade infantil, avaliou o estudo. Crianças negras não hispânicas que não estavam acima do peso quando entraram no jardim de infância em 2010 tinham 29% mais chances de desenvolver obesidade na quinta série do que aquelas que começaram em 1998.

O status socioeconômico não foi fator determinante para a obesidade infantil, de acordo com o pesquisa.

“Isso foi inesperado, porque geralmente vimos crianças de famílias mais ricas serem mais protegidas de muitos problemas de saúde, especialmente obesidade”, disse Cunningham. “Isso realmente destacou para mim que a obesidade afeta a todos em todos os níveis socioeconômicos”, acrescentou.

Como o estudo acompanhou apenas crianças até a quinta série, os pesquisadores não têm certeza de como o status socioeconômico e a raça afetaram as taxas de obesidade quando os participantes entraram na sexta série e além.

No entanto, com base em análises anteriores sobre obesidade adulta, é provável que crianças de nível socioeconômico mais baixo tenham maiores taxas de obesidade adulta, destacou o Dr. Venkat Narayan, autor sênior do estudo e diretor-executivo do Centro Global de Pesquisa em Diabetes da Emory.

“Falta de acesso a alimentos saudáveis, falta de acesso à atividade física, maior desemprego, todos esses fatores podem colaborar para aumentar o risco de doenças como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares”, observou Narayan.

Questão de saúde pública

Desde 2010, vários esforços de saúde pública foram implementados para reduzir as taxas de obesidade infantil, incluindo a campanha “Let’s Move” (“Vamos nos mexer”, em tradução livre) de Michelle Obama e o ato Healthy, Hunger-Free Kids (“Crianças saudáveis e sem fome”, em tradução livre).

Apesar desses esforços, os índices subiram, um sinal de que essas ações podem não ser tão benéficas quanto as pessoas supõem, avaliou Cunningham.

Especialistas acreditam que a redução das taxas de obesidade infantil pode ser atingida através de políticas públicas, como a melhoria dos pacotes de alimentação escolar e a ampliação do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP).

“Há algumas evidências de que esses tipos de mudanças políticas reduzem a insegurança alimentar, melhoram a nutrição e podem melhorar os resultados do peso infantil juntos de maneira equitativa”, ressaltou Baidal.

No entanto, como o status socioeconômico não foi um importante fator da obesidade, as mudanças nas políticas podem não ser suficientes por si só, complementou Narayan.

Pesquisas mais organizadas são necessárias para encontrar os fatores que levam ao aumento das taxas e início precoce da obesidade infantil, bem como encontrar estratégias para prevenir efetivamente que ela se torne mais “grave”, adicionou.

“Outros países mantêm grandes registros e bancos de dados, onde podem ter essa vigilância oportuna do que está acontecendo ao longo do tempo com os indivíduos”, disse Baidal. “É apenas mais um sinal da falta de investimento em saúde infantil e prevenção (da obesidade) nos Estados Unidos.”
Intervenções domiciliares para obesidade infantil

Os métodos tradicionais de controle de peso, como dietas rigorosas, nem sempre funcionam e às vezes podem ser pouco saudáveis, alertou Cunningham.

Não existe um único método recomendado de prevenção ou intervenção para a obesidade infantil. A coisa mais útil que pais e cuidadores podem fazer é falar com o pediatra de seus filhos. Ensinar hábitos saudáveis – incluindo atividade física, nutrição, bom sono e redução do estresse – é outra maneira de os pais e cuidadores trabalharem para diminuir a obesidade infantil, apontou Baidal.

“O que os estudos estão mostrando é que o mais eficaz envolve tratamentos comportamentais baseados na família, ensinando-as sobre estratégias comportamentais para ajudar a mudar o ambiente doméstico”, disse o doutor Kyung Rhee, professor de pediatria da UC San Diego, que não participou do estudo.

Pode ser útil que pais e cuidadores enfatizem a importância desses hábitos para toda a família, para que a criança não sinta vergonha ou culpa pelo seu peso.

Embora a obesidade possa ser um fator para problemas de saúde, enfatizar a perda de peso nem sempre é uma solução útil, disse Rhee, que trabalha com pacientes com distúrbios alimentares e obesidade infantil.

“Reformule a coisa toda em termos de estilos de vida e ambientes mais saudáveis”, destacou Narayan. “É melhor falar sobre alimentação saudável, atividade física adequada para crianças, ambientes de brincadeira adequados, ambientes de brincadeira mais seguros, principalmente em bairros socioeconômicos mais pobres”, finalizou.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Taxa de obesidade infantil aumenta nos Estados Unidos, diz estudo no site CNN Brasil.


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