“Thor: Amor e Trovão” não reacende a faísca que “Ragnarok” acendeu


A impressionante mistura de tons e estilos que o diretor Taika Waititi fez em “Thor: Ragnarok” em grande parte fracassa em “Thor: Amor e Trovão”, que não é tão engraçado quanto quer ser, tão emocionante quanto precisa ser ou romântico como deveria ser.

Embora bem ritmada em pouco menos de duas horas, em vez dos esperados fogos de artifício, o filme chega perto de parecer um fracasso pós-feriado de 4 de julho, nos Estados Unidos.

O histórico invejável de queridinhos criativos e comerciais da Marvel desde “Homem de Ferro” começou a parecer menos invencível, com os míticos “Eternos” e alguns de seus esforços menores no Disne + (“Cavaleiro, Lua”, por exemplo) exibindo sinais de vulnerabilidade.

Embora reunir Waititi e o astro Chris Hemsworth soasse como uma proposta imperdível e uma maneira de provocar um entusiasmo considerável, o filme parece muito apaixonado pelas habilidades cômicas do ator, enquanto falta o tipo impressionante de vilão que ajudou a elevar “Ragnarok” quando as coisas ficaram sérias.

Cate Blanchett e Christian Bale aparecem em “Thor”, mas sua Hela está acima de Gorr, o Carniceiro de Deus, um personagem cuja trágica história de fundo toma um rumo sombrio quando ele adquire a Necrosword, prometendo usar o artefato místico para matar todos os deuses, incluindo Thor, e seus amigos asgardianos.

Quanto a Thor, sua existência despreocupada se torna muito mais complicada quando ele deixa os Guardiões da Galáxia para trás logo antes que o amor de sua longa vida, Jane Foster (Natalie Portman), inesperadamente volte para ele – literalmente, ao que parece, Jane adquiriu poderes semelhantes aos de Thor por meio de um vínculo com seu velho martelo Mjolnir, e guarda um segredo que explica seu súbito interesse pela magia.

Indicativo de um currículo eclético que varia de comédias de TV peculiares a um filme de “Star Wars”, o diretor Waititi encontra humor nos lugares mais estranhos, como no relacionamento de Thor com seu machado, Stormbreaker, que parece antropomorficamente ciumento ao ele interagir com outras armas.

O filme também apresenta uma impressionante variedade de participações especiais – entre elas Russell Crowe como um Zeus muito excêntrico – alimentando a sensação de diversão que Waititi (que compartilha o crédito do roteiro com Jennifer Kaytin Robinson) procurou promover, até um uma espécie de recapitulação da história de Thor até agora,- bem como músicas bem escolhidas do Guns N’ Roses após a contribuição do Led Zeppelin para “Ragnarok”.

No entanto, apesar dos floreios visuais genuinamente impressionantes e da garra de Hemsworth ao retratar Thor como um idiota arrogante – incluindo um pouco de nudez já superexposta no marketing que ainda deve provocar grandes risadas –, muitas vezes as piadas em “Amor e Trovão” caem por terra. Há também algo quase preguiçoso na maneira como as crianças são incorporadas à trama.

No geral, o momento mais encorajador pode realmente vir durante uma sequência de créditos finais, o que sugere um enredo mais promissor para um quinto filme, com a promessa padrão de que “Thor retornará”.

Quando se trata da Marvel, a esperança tende a ser eterna. No entanto, dado o tempo de atraso entre esses empreendimentos maciços, é decepcionante ter que depositar as esperanças na próxima fase.

Ainda assim, “Thor: Amor e Trovão” essencialmente configura esse cenário, com um filme musculoso e bonito, mas no seu melhor, esporadicamente simpático, e ainda mais difícil de amar.

“Thor: Amor e Trovão” estreia no dia 7 de julho nos cinemas.

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