Pesquisas iniciais mostram que Macron deve perder maioria absoluta no parlamento


O presidente francês, Emmanuel Macron, está a caminho de perder sua maioria absoluta na Assembleia Nacional e o controle de sua agenda de reformas depois que as primeiras projeções de quatro pesquisas mostraram que a eleição de domingo entrega um parlamento travado.

O conjunto centrista de Macron “Juntos!” foi definida para terminar com o maior número de assentos, mostraram as pesquisas, seguida pelo bloco de esquerda Nupes, liderado pelo veterano de esquerda Jean-Luc Melenchon.

Mas o limite para uma maioria absoluta é de 289 assentos na câmara baixa, e as projeções dos quatro institutos mostraram que Macron e seus aliados ficariam muito abaixo disso.

Se confirmado, um parlamento suspenso abriria um período de incerteza política que exigiria um grau de compartilhamento de poder entre os partidos não experimentados na França nas últimas décadas, ou então paralisia política e até mesmo eleições repetidas.

Rachida Dati, do conservador Les Republicains, chamou os resultados de “um fracasso amargo” para Macron e disse que ele deveria nomear um novo primeiro-ministro.

“É a arrogância de Emmanuel Macron, seu desprezo pelos franceses… que o tornaram um presidente minoritário”, disse Jordan Bardella, do partido de extrema-direita Rassemblement National de Marine Le Pen.

No campo de Macron, Gabriel Attal disse à TF1 TV: “Ninguém ganhou”, enquanto a porta-voz do governo Olivia Gregoire disse que os resultados foram decepcionantes, mas observou que a aliança ainda deve ser o maior grupo no parlamento.

Reformas

O ex-chefe da Assembleia Nacional, Richard Ferrand, perdeu sua cadeira, e a ministra da Saúde, Brigitte Bourguignon, também não foi reeleita, em duas grandes derrotas para o campo de Macron.

Previsões separadas do instituto de pesquisas Ifop, OpinionWay, Elabe e Ipsos mostraram que a aliança Ensemble de Macron ganhou entre 200 a 260 assentos e Nupes garantindo entre 149 a 200.

A capacidade de Macron de buscar mais reformas na segunda maior economia da zona do euro dependeria de sua capacidade de reunir moderados fora de sua aliança à direita e deixar para trás sua agenda legislativa.

Na sede do Nupes, o povo aplaudiu, cantou e aplaudiu quando chegaram as primeiras estimativas.

Em outra grande mudança para a política francesa, o partido de Le Pen pode ganhar até 100 cadeiras, mostraram as projeções iniciais – sua maior pontuação já registrada.

O partido Les Republicains e seus aliados também podem chegar a 100, potencialmente tornando-os reis.

Macron, de 44 anos, tornou-se em abril o primeiro presidente francês em duas décadas a conquistar um segundo mandato, mas preside um país profundamente desencantado e dividido, onde o apoio a partidos populistas de direita e esquerda aumentou.

Transtorno

Ele apelou por um mandato forte durante uma campanha realizada no contexto de uma guerra no leste da Europa que reduziu o fornecimento de alimentos e energia e elevou a inflação, corroendo os orçamentos das famílias.

“Nada seria pior do que adicionar a desordem francesa à desordem mundial”, disse o presidente antes do segundo turno da votação.

A aliança Nupes de Melenchon fez campanha para congelar os preços de bens essenciais, reduzir a idade de aposentadoria, limitar a herança e proibir empresas que pagam dividendos por demitir trabalhadores. Melenchon também apela à desobediência à União Europeia.

Os aliados políticos de Macron colocaram Melenchon como um “agitador sinistro” que destruiria a França. Christophe Castaner, um dos legisladores mais importantes do partido no poder, ridicularizou seu programa econômico como “repleto de clichês da era soviética”.

“Está fora de questão para, para mim, votar nas propostas absurdas de Melenchon — nos exilar da Europa e outras bobagens desse tipo. E seria impossível financiá-las”, disse a aposentada Joyce Villemur, que votou em Sèvres, nos arredores de Paris.

As estimativas iniciais indicavam que o Nupes ficou muito abaixo de conquistar a maioria no poder, mas privou Macron do mesmo e se tornaria o maior bloco de oposição na Assembleia.

Se Macron e seus aliados perderem a maioria absoluta por uma ampla margem, como sugerem as projeções iniciais, eles podem buscar uma aliança com Les Republicains ou administrar um governo minoritário que terá que negociar leis com outros partidos caso a caso.

Partido conservador francês continuará na oposição

Christian Jacob, chefe do partido conservador francês Les Republicains, disse neste domingo (19) que seu partido permanecerá na oposição depois que Emmanuel Macron perdeu a maioria absoluta no parlamento.

Les Republicains são vistos como um provável parceiro que Macron pode procurar para formar uma coalizão de governo. Ele também pode tentar administrar um governo minoritário que terá que negociar as leis com outras partes caso a caso.

Marine Le Pen quer unir todos “patriotas”

A líder do partido Rassemblement National, de extrema-direita francesa, Marine Le Pen, disse que buscará unir todos os “patriotas” tanto da direita quanto da esquerda depois que seu partido se saiu mais forte do que o esperado nas eleições gerais de domingo. 

O partido de Le Pen pode ganhar até 100 cadeiras, mostraram as projeções iniciais — a maior pontuação já registrada. 

“Vamos encarar uma forte oposição”, acrescentou Le Pen.

 

Este conteúdo foi originalmente publicado em Pesquisas iniciais mostram que Macron deve perder maioria absoluta no parlamento no site CNN Brasil.


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