Fluminense faz jogo quase perfeito e supera o Atlético-MG na mais pura ode ao “Dinizismo”


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a partida desta quarta-feira (8) e as escolhas de Antonio Mohamed e Fernando Diniz

Poucas equipes entregam tanto entretenimento ao amante do velho e rude esporte bretão como o Fluminense. A vitória por 5 a 3 sobre o Atlético-MG e a atuação da sua equipe comprova essa tese com facilidade por causa de uma série de fatores. O principal deles é a fidelidade ao chamado “Dinizismo”, expressão usada nas redes sociais para descrever o estilo dos times comandados por Fernando Diniz. O que se viu nesta quarta-feira (8) foi um Fluzão intenso, inteligente, que sabia muito bem a hora de acelerar ou tirar a velocidade das jogadas e que explorou muito bem os problemas defensivos do escrete comandado por Antonio “El Turco” Mohamed. Destaque para as grandes atuações de Cano, André, Luiz Henrique e Samuel Xavier num jogo repleto de alternativas o mais puro entretenimento ao torcedor.

Isso porque o Fluminense fez uma partida quase perfeita na sua organização ofensiva durante toda a partida no Maracanã. As linhas mais altas de marcação do Atlético-MG concediam espaços demais entre o meio-campo e a última linha, onde a dupla de zaga formada por Nathan Silva e Junior Alonso encontravam dificuldades enormes para fechar as linhas de passe e conter o avanço do 4-4-1-1 de Fernando Diniz. Com Ganso mais solto e sem obrigações defensivas, Jhon Arias levando Mariano à loucura e Luiz Henrique em noite inspiradíssima, não demorou muito tempo para que todo esse volume de jogo do Tricolor das Laranjeiras se transformasse em gols. Enquanto isso, o Atlético=MG sofria demais para vencer a forte marcação do seu adversário e viu o 4-4-2 de Antonio Mohamed ser facilmente anulado pela defesa do Fluminense.

Formação inicial das duas equipes no Maracanã. Fernando Diniz trouxe o Fluminense para trás e conseguiu explorar os espaços que encontrava na frente na base da velocidade e da intensidade na troca de passes. O Atlético-MG cometeu erros demais.

O Fluminense recuava suas linhas, reduzia espaços e aplicava uma forte pressão no portador da bola. Assim que a posse era retomada, Paulo Henrique Ganso, André e Wellington acionavam os atacantes em alta velocidade para aproveitar a desorganização do Atlético-MG no seu sistema defensivo. Cano sempre aparecia na frente arrastando Nathan Silva ou Junior Alonso com ele e permitia que Jhon Arias e Luiz Henrique pudessem atacar a área adversária. Aos 17 minutos do primeiro tempo, Ganso apareceu na esquerda como autêntico ponta e cruzou para a área. Luiz Henrique ajeitou e John Arias acertou o ângulo de Éverson. Aos 28 minutos, foi a vez de Samuel Xavier aparecer pelo lado direito e cruzar para Cano completar de barriga para o gol vazio. A estratégia de Fernando Diniz era simples, porém muito eficiente.

O Atlético-MG encontrava muitas dificuldades para furar a defesa do Fluminense e acionar Hulk no comando de ataque. Com os volantes Allan e Jair muito bem marcados e Nacho Fernández em noite discreta, o time comandado por Antonio Mohamed só conseguiu dar o ar de sua graça aos 33 minutos, quando encaixou a sua primeira boa chance de gol na cabeçada de Eduardo Sasha que Fábio defendeu. No minuto seguinte, o goleiro do Fluminense “entregou a paçoca” ao sair jogando errado no gol marcado por Hulk. Parecia que o Galo voltaria para o jogo, mas o escrete das Laranjeiras se manteve fiel ao “Dinizismo”. Samuel Xavier apareceu na área como atacante e completou cruzamento de Luiz Henrique para as redes aos 34 minutos. E isso tudo ainda na primeira etapa. A partida no Maracanã nos entregava o mais puro entretenimento.

Se Jhon Arias se juntava a Paulo Henrique Ganso e André na organização das jogadas de ataque, Luiz Henrique se transformou num verdadeiro pesadelo para Rubens e Junior Alonso pelo lado direito. O camisa 11 fez de tudo por ali e foi a principal arma ofensiva de um Fluminense intenso e muito envolvente nas transições. Ainda que o escrete de Fernando Diniz tenha perdido a concentração entre o final da primeira etapa e o início da segunda e levado os gols de Jair e Eduardo Sasha, a impressão que ficava era a de que o Atlético-MG só conseguia se impor muito mais na base do talento individual do que no jogo coletivo. Situação bastante preocupante para o escrete comandado por Antonio Mohamed às vésperas de tantos jogos importantes pela Libertadores, pela Copa do Brasil e pelo próprio Campeonato Brasileiro.

A prova disso era a fragilidade do sistema defensivo do Galo. Se não avançou tanto no primeiro tempo, Cris Silva começou a aparecer mais no campo de ataque e a explorar os espaços às costas do lateral Mariano. Aos 12 minutos da segunda etapa, o camisa 15 cruzou para Cano fazer o quarto. Notem que o camisa 14 aparece justamente às costas de Rubens e aproveita a hesitação do defensor atleticano antes de estufar as redes. Cinco minutos depois, André encontra Luiz Henrique no meio da defesa atleticana no lance que fechou o placar no Maracanã. E com toda a justiça. Ainda que Antonio Mohamed tenha mandado Fábio Gomes, Sávio e Keno para o jogo, o Fluminense quase não sofreu com o “abafa” imposto pelo Atlético-MG após o quinto gol. Tanto que Fernando Diniz fechou a sua área com as entradas de Felipe Melo, Luccas Claro e Yago Felipe.

Antonio Mohamed empilhou atacantes no Atlético-MG depois de sofrer o quinto gol, mas viu sua equipe esbarrar na boa marcação do Fluminense. Fernando Diniz, por sua vez, apostou numa linha de cinco e reforçou a entrada da área do goleiro Fábio.

A vitória incontestável sobre o atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil e a atuação coletiva da equipe deve sim ser celebrada por jogadores, comissão técnica e torcedores. Na prática, o que vimos na noite desta quarta-feira (8) foi uma ode ao “Dinizismo”, termo pelo qual o estilo de jogo de Fernando Diniz passou a ser conhecido nas redes sociais. Ainda que seja um estilo altamente corajoso e de alto risco, ele entrega o mais puro entretenimento e se torna extremamente vistoso quando bem executado. É óbvio que o futebol é dominado por uma série de fatores internos e externos e que é impossível controlar totalmente o que acontece dentro das quatro linhas. Mesmo assim, o Fluminense saiu vitorioso porque se adaptou melhor ao contexto do jogo e foi muito mais organizado e concentrado do que o Atlético-MG.

Certo é que o escrete comandado por Fernando Diniz deixou o torcedor tricolor com esperanças por voos mais altos ainda em 2022. E essa expectativa se justifica pela atuação do time contra o atual campeão brasileiro. O elenco parece comprometido com as ideias do seu treinador e as executa com o máximo de perfeição possível dentro de campo. O tal “Dinizismo” (tão ridicularizado em alguns momentos) vai conquistando mais adeptos e fazendo do Fluminense uma equipe muito difícil de ser batida.

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