Federação de jogadores de futebol vai cobrar Conmebol por ações contra racismo


Em apenas uma semana, quatro casos de ofensas racistas em jogos da Libertadores da América foram flagrados por torcedores brasileiros, o que levou a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) a oficiar a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) cobrando medidas contundentes dos organizadores do torneio.

“Precisamos seguir enfrentando o racismo. Infelizmente isso virou uma cultura mundial. Essas atitudes se repetem porque não há punição. A partir do momento em que houver uma punição severa, a gente consegue amenizar essa questão”, afirmou o presidente da Fenapaf, Alfredo Sampaio, em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (29).

O caso mais recente aconteceu na noite de quinta-feira (28), quando torcedores da Universidad Católica, do Chile, foram flagrados imitando macacos em provocações racistas aos torcedores do Flamengo, em jogo disputado em Santiago. As imagens foram compartilhadas em vídeos que circulam nas redes sociais.

No Twitter oficial do Flamengo, o clube lamentou o ocorrido e marcou o perfil da Conmebol cobrando respostas.

Na mesma rede social, o perfil do Universidade Católica também condenou o que chamou de “comportamento miserável” e pediu o apoio de seus torcedores para que, de forma anônima, possam identificar o autor dos ataques racistas.

Na partida entre Emelec e Palmeiras, na quarta-feira (27), um torcedor do clube equatoriano foi flagrado também fazendo ofensas racistas para um grupo de palmeirenses.

Já na terça-feira (26), foram dois casos. Em São Paulo, um torcedor do Boca Juniors foi detido dentro do estádio do Corinthians após fazer gestos imitando um macaco para a torcida adversária. Ele foi solto após pagamento de fiança.

O outro caso aconteceu na Argentina, com torcedores do Estudiantes de La Plata imitando o som de macacos em direção a torcedores do Bragantino.

Já em jogo válido pela segunda rodada da Libertadores, no dia 13 de abril, um torcedor do River Plate foi flagrado jogando uma banana na direção da torcida do Fortaleza. O homem foi identificado posteriormente como sócio do clube argentino e, como punição, foi suspenso por seis meses do estádio e terá que fazer um curso de conscientização.

A Conmebol se manifestou na tarde desta sexta-feira em um post no Twitter, afirmando que considera “considera absolutamente inaceitável qualquer manifestação de racismo e outras formas de violência em seus torneios.”

Em comunicado, a Conmebol afirma que “promoverá mudanças na regulamentação para aumentar e endurecer as penalidades em casos de racismo. Também se compromete a desenhar e implementar novos programas e ações que visem banir definitivamente este problema do futebol sul-americano.”

 

 

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, afirmou sentir “muita indignação e tristeza” com os casos de racismo. Rodrigues afirma estar em contato com o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. Segundo o mandatário da CBF, será realizado um encontro entre os dirigentes das federações sul-americanas para tratar do caso e “endurecer” medidas contra as manifestações racistas nos estádios.

O brasileiro afirmou que a CBF promoverá em junho um evento “debater medidas contra o racismo e todo tipo de violência no futebol”, reunindo representantes de Fifa, Conmebol, Federações, Clubes, justiça desportiva, Ministério Público, autoridades de segurança e imprensa.

Possibilidades de punição atuais

De acordo com o regulamento de competições da Conmebol, “qualquer pessoa que insulte ou atente contra a dignidade humana de outra pessoa ou grupo de pessoas por motivos de cor de pele, raça, etnia, idioma, religião ou origem será suspensa por um mínimo de cinco partidas ou por um período de tempo específico.”

O artigo seguinte fala ainda em multa para “qualquer associação membro ou clube cujos torcedores realizem os comportamentos descritos no parágrafo anterior será sancionado com uma multa de ao menos US$ 3 mil (R$ 14 mil)”.

Mas, ainda de acordo com o regulamento da Conmebol, “se as circunstâncias particulares do caso requererem, o órgão disciplinar competente pode impor sanções adicionais à associação membro ou ao clube responsável, como jogar um ou mais jogos de portões fechados, a proibição de jogar uma partida em um estádio determinado, concessão da vitória do encontro pelo resultado que se considere, a perda dos pontos e a desclassificação da competição.”

A Conmebol ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

*editado e publicado por Felipe Romero, da CNN

 

Este conteúdo foi originalmente publicado em Federação de jogadores de futebol vai cobrar Conmebol por ações contra racismo no site CNN Brasil.


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