Desfiles cheios de energia, celebrações e protestos fecham Carnaval no Anhembi


A música e a alegria das escolas de samba do grupo especial de São Paulo tomaram o Sambódromo do Anhembi pela segunda vez em 2022. Animando as arquibancadas, a festividade só terminou pela manhã e trouxe protestos, homenagens e celebrações para a avenida.

Logo de cara, um dos destaques da noite foi a volta da Vai-Vai, maior campeã do Carnaval paulistano, à elite. Resgatando a cultura e valores africanos que foram abandonados com a escravidão, a escola recorreu aos provérbios Adrinkas, sistema de escrita usado na era pré-colonial, mostrando um novo horizonte para a atualidade.

O protesto trazido pelo samba da Gaviões da Fiel teve que esperar um pouco para ecoar na avenida devido à limpeza da pista após a passagem da Vai-Vai, que deixou papel colorido pelo caminho.

Nomeado “Basta!”, o enredo da agremiação quis trazer à tona a voz de todos aqueles que lutam por justiça e liberdade, fazendo uma crítica ao racismo, à desigualdade e à devastação ambiental. O refrão clamou, então, que “é hora da luta sair do papel”.

Em seguida, foi a vez da Mocidade Alegre tomar conta do sambódromo, contando a história da sambista Clementina de Jesus. A Rainha Quelé, como é conhecida, nasceu em 1901 e só teve reconhecimento profissional aos 63 anos. Ela gravou 13 discos, entre álbuns solos e participações especiais.

A Morada do Samba fez um desfile colorido e animado, com coreografias em diversas alas. Os “apagões” da bateria (quando ela para de tocar por um breve momento) revelaram as arquibancadas cantando junto à escola.

A atual campeã do Carnaval paulistano, a Águia de Ouro, trouxe valores de Oxalá para a avenida como amor, respeito e esperança. Integrantes da agremiação azul e branca levaram cartazes protestando contra o preconceito e a intolerância religiosa.

A escola também levou para a avenida pernas de pau e fez, com sucesso, apagões da bateria.

Foi a vez então da Barroca Zona Sul, que contou com a ajuda do coreografo Carlinhos de Jesus para contar a história de Zé Pilintra, uma entidade cultuada nas religiões de matriz africana, conhecida como advogado dos pobres e menos favorecidos.

A emoção tomou conta dos integrantes da escola, que chegaram a considerar este um dos melhores desfiles da Barroca. A “Faculdade do Samba”, como é conhecida, fez jus ao apelido e mostrou bossas bem trabalhadas.

Falando sobre cura desde a antiguidade até os dias atuais, a Rosas de Ouro também fez um desfile potente, com carros alegóricos bem montados e uma comissão de frente que surpreendeu ao chamar espectadores da Anhembi para participar do ritual representado por eles.

Em uma das alegorias, a agremiação fez crítica ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Para finalizar o retorno do samba ao sambódromo e São Paulo, a Império da Casa Verde trouxe um samba que exaltou o poder da comunicação.

Já com um lindo amanhecer na capital paulista – e integrantes animados mesmo após horas de espera – a escola mostrou como a atividade é uma ferramenta de transformação, que transpõe barreiras, transmite ideias, compartilha informações, conecta pessoas e expressa sentimentos.

Um fato importante e de comemoração para todas as escolas é que nenhuma delas estourou o tempo limite de 65 minutos para cruzar a avenida. A que chegou mais próximo disto foi a Barroca Zona Sul, mas, demonstrando tranquilidade, os integrantes fecharam sua passagem com o tempo cravado.

Entre atrasos e homenagens, veja como foi o primeiro dia de desfiles do grupo especial paulistano.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Desfiles cheios de energia, celebrações e protestos fecham Carnaval no Anhembi no site CNN Brasil.


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