Federação entre PT, PV e PCdoB cria impasse a candidato único ao GDF


A recém-criada federação partidária entre PT, PV e PCdoB pode ter deixado claro o rumo das legendas para as Eleições 2022 no âmbito do Executivo nacional, mas trouxe um ponto de interrogação na disputa pelo governo do Distrito Federal. Afinal de contas, com a união dos partidos passou a ser cinco o número de pré-candidatos que orbitam a figura do ex-presidente Lula na capital.

Só dentro do PT há dois nomes que disputam a preferência da sigla: a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) Rosilene Corrêa e o ex-deputado federal Geraldo Magela. Pelo PV, o distrital Leandro Grass já conduz a pré-campanha há alguns meses e no PCdoB o escolhido é João Goulart, filho do ex-presidente de mesmo nome.

O quinto nome, do ex-secretário de Educação Rafael Parente, vem do PSB, onde a situação é um pouco diferente. Apesar de a sigla não fazer parte da federação chamada de “Brasil da Esperança” e ser livre para lançar um nome independente, ela compõe a chapa nacional do PT com Geraldo Alckmin para vice-presidente de Lula. Por isso, a confirmação de uma candidatura que concorra contra a federação poderia gerar a falta de apoio do principal nome do partido a nível nacional.

Com tanto a se considerar para unir o campo da esquerda, a promessa é que as próximas semanas sejam de intensas negociações a fim de garantir o maior número de votos possível. Afinal de contas, o apoio de Lula pode garantir os votos de eleitores fiéis enquanto que afastam aqueles que rejeitam completamente o presidenciável e o PT.


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O presidente do PT no DF, Jacy Afonso, afirma que o partido ainda está em fase de alinhamento a nível nacional com cada um dos estados e aguarda definição para um posicionamento final. Ele, no entanto, diz acreditar que os nomes da legenda têm condição de se sobressaírem. “No nosso entendimento, tanto a Rosilene quanto Magela são mais competitivos, mas sabemos que é legítimo, nesse momento, que cada sigla apresente quem considera melhor”, comenta.

Jacy lembra ainda que o objetivo principal é a vitória de Lula nas eleições, portanto, é importante ter um palanque forte para o presidenciável na capital. “Queremos dialogar também com o PSB, que forma chapa com Lula, além do Psol e Rede. É um momento de namoro e vamos construir a melhor forma à situação”, pontua.

O pré-candidato pelo PSB, Rafael Parente, por outro lado, se mostra confiante na composição de uma chapa encabeçada por ele. “Não sei quem vai ser vice ainda, se a Rosilene ou o Grass, mas a ideia é compor uma chapa bem ampla”, explica.

De acordo com o ex-secretário de Educação, as conversas têm sido feitas não só no âmbito distrital, mas com lideranças nacionais de todos as legendas. “Estamos confiantes que a união vai acontecer. Nosso interesse é menos na gritaria e mais em demonstrar o interesse em comum”, afirma.

Já Leandro Grass, postulante pelo PV, defende que o partido dele está no caminho certo para encabeçar uma disputa pelo Buriti. “De todas as unidades da federação, aqui é o único local que o meu partido buscou lançar candidato para governador. A gente entende que é um momento de desafios, de muito diálogo e a questão ambiental é urgente em Brasília”, pontua.

O deputado distrital diz ainda que pretende contar com o apoio do PSB a fim de compor uma via que ele não considera ser apenas de esquerda. “Não estamos em ambiente de competição, mas de cooperação. É um campo de alternativa a Ibaneis”, resume.

Com um tom mais sereno e sem pressa, João Goulart, do PCdoB, acha importante esperar a definição no PT e o lançamento oficial da campanha de Lula para engatilhar os caminhos da federação no DF. “Por enquanto eles ainda estão com dois disputando internamente. Não queremos atropelar nada. É melhor deixar essas coisas amadurecerem”, defende.

Segundo ele, a ideia é manter unidade e qualquer um dos nomes já apresentados representariam isso. “Não há uma disputa e não precisamos apressar essa decisão. Aquilo que for melhor para Lula será acatado aqui”, pondera.

Como funciona a federação partidária

Esta é a primeira ver que partidos podem se unir para formarem federações. Conforme a legislação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a união para atuar como uma só legenda deve durar por, no mínimo, quatro anos. A abrangência é nacional e funciona como um teste para uma eventual fusão ou incorporação envolvendo as legendas que fizerem parte da federação.

Na prática, a federação opera como uma só legenda e, por esse motivo, está submetida às mesmas regras aplicadas aos partidos políticos. Uma federação pode, por exemplo, formar coligação para disputar cargos majoritários (presidente, senador, governador e prefeito), mas está proibida de se coligar a outras siglas em pleitos proporcionais (deputado federal, deputado estadual ou distrital e vereador). Nas eleições proporcionais, tanto o partido quanto a federação deverão observar o percentual mínimo legal de 30% de candidaturas de um mesmo sexo.

Entenda aqui as diferenças entre eleições proporcionais e majoritárias:

@metropolesoficial Você sabia que existe diferença nas #eleições para #presidente e para #deputados? Hoje a repórter Isadora Teixeira vai te explicar o que são as eleições majoritárias e as eleições proporcionais. #TikTokNotícias ♬ som original – Metrópoles Oficial

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