Brasil pode ser mediador do diálogo para fim da Guerra, diz Carlos França à CNN


No final da manhã desta sexta (25), enquanto visitava o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, teve que encaixar um telefonema na longa agenda de compromissos no Rio de Janeiro. A chamada foi com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.

Ao homem forte de Joe Biden, o chanceler de Jair Bolsonaro mostrou preocupação com a suposta ‘seletividade’ nas sanções impostas à Rússia e fez um pedido: autorização para negociar com países sob sanção.

Na mira do Brasil, nações como Marrocos e Irã, de onde o país poderia trazer remessas excedentes de fertilizantes para evitar um possível desabastecimento depois dos bloqueios à Rússia. Depois de defender a postura do Brasil na ONU, França sugeriu que o país pode ser mediador e facilitador de um diálogo entre Rússia e Ucrânia, mesmo longe do cenário onde o conflito acontece.

“Eu não sei se nós podemos mediar a paz. […] Nós estamos de alguma maneira distantes do teatro em que se desenrola esse conflito. Mas seguramente o Brasil, pela posição que tem de serenidade, de construção de consenso nas Nações Unidas, pode ser sim um facilitador desse diálogo”, disse o ministro à CNN.

“A nossa ideia é realmente trazer as duas partes à mesa de negociação. E nesse sentido que é preciso ouvir os dois lados. Por isso que eu acho que não é preciso dizer ‘ah, você está a favor do lado A ou do lado B’, não, nós estamos a favor do consenso, do diálogo. E pra ter o diálogo é preciso que você sente na mesma mesa, as duas partes e ouça os dois lados. Nesse sentido de facilitador e de mediador que o Brasil pode atuar”, explicou ele.

Oito dias depois de o presidente Jair Bolsonaro discursar em Moscou se dizendo ‘solidário à Rússia’, a invasão à Ucrânia pelas tropas de Vladmir Putin foi deflagrada. Desde o início do conflito, representantes do Brasil na ONU tem aprovado resoluções que criticam a ação dos russos. França defendeu que a posição do Brasil é de equilíbrio e não ‘contrária à Rússia ou à Ucrânia’ e criticou as punições globais ao país comandado por Putin.

“Ele [Blinken] me explicou a razão das sanções, eu entendo que as sanções, vamos dizer assim, são uma espécie de arma que tinham nesse momento Europa e Estados Unidos pra reagir à situação na Ucrânia. Me preocupa um pouco o caráter de seletividade”, afirmou França.

“Eu não sei até que ponto as sanções são suficientes ou são efetivas pra atingir o objetivo que nós temos nesse momento, qual é o objetivo: cessação imediata das hostilidades, um cessar fogo. Uma volta das duas partes ao diálogo construtivo pra encontrar uma solução duradoura, de paz àquela região”, completou.

França aproveitou o telefonema para pedir uma autorização especial dos EUA à compra de remessas excedentes de fertilizantes de países sob sanção para evitar um desabastecimento do produto no país. São as chamadas “waivers”, autorizações temporárias pra driblar bloqueios internacionais. Isso se aplicaria a nações como o Irã.

“Ele [Blinken] disse que vai estudar a possibilidade”, disse França. O chanceler revelou ainda negociações com Marrocos para trazer fertilizantes.

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