Dia Mundial da Tuberculose: conheça os principais sintomas da doença


O Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta quinta-feira (24), promove a conscientização sobre a doença que atinge milhares de pessoas em todo o mundo.

Em 2021, foram registrados 68.271 casos novos de tuberculose no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados nesta quinta-feira. Em 2020, foram registrados 68.939 casos novos e 4.543 mortes pela doença. Em 2019, foram registrados 4.532 óbitos.

Na edição desta quinta-feira (24) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou os principais sinais e sintomas da tuberculose, que afeta principalmente os pulmões.

A doença infecciosa e transmissível é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A forma extrapulmonar, que impacta outros órgãos além do pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas vivendo com HIV, especialmente aquelas com comprometimento imunológico.

“Existe um tipo de manifestação da doença chamada tuberculose miliar, que se espalha para o corpo todo. Você pode ter inclusive a meningite causada pelo bacilo da tuberculose. O quadro pode ser bastante grave, necessitando da intervenção de diversas especialidades para tratar um paciente”, explica Gomes.

Os principais sintomas incluem tosse por três semanas ou mais, febre vespertina, suor noturno e emagrecimento (veja quadro abaixo).

Arte/CNN

Dificuldade de adesão ao tratamento

O tratamento da tuberculose dura de seis meses a um ano. A terapia é realizada com o uso de antibióticos, incluindo os medicamentos rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Uma das principais dificuldades no combate à doença é a falta de adesão ao tratamento. A longa duração e os resultados rápidos de melhoras fazem com que alguns pacientes interrompam o uso da medicação.

A descontinuidade põe em risco a saúde, devido aos riscos de desenvolvimento de uma forma da doença resistente aos medicamentos, conhecida como tuberculose multirresistente.

Fiocruz traça panorama da tuberculose resistente na pandemia

Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicaram um boletim epidemiológico que aborda um panorama da tuberculose no país e destaca os desafios no controle e enfrentamento à doença em meio à pandemia de Covid-19. Os indicadores revelam uma redução no número de casos da tuberculose multirresistente diagnosticados em 2020 e 2021, em comparação com 2019.

O documento elaborado com base nos dados do Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose (SITETB), analisa os principais indicadores entre casos notificados no país, no período entre 2019 e 2021, com ênfase no contexto social e demográfico, envolvido no adoecimento e manejo da tuberculose resistente no Brasil.

No que diz respeito ao padrão de resistência, o boletim destaca que os casos resistentes ao antibiótico rifampicina e multirresistentes representaram a maioria entre os notificados. Embora abaixo do preconizado, o sucesso terapêutico foi mais frequente na maior parte dos casos, em ambas as realidades analisadas.

A Fiocruz alerta que, com a chegada da pandemia, a eliminação da tuberculose como problema de saúde pública mundial ficou ainda mais distante, em função da redução de 25% no diagnóstico e do aumento de 26% da mortalidade pela doença no mundo.

Principais resultados do estudo

De acordo com o boletim da Fiocruz, entre 2019 e 2021, foram notificados 3.848 casos de tuberculose resistente no Brasil. Com a chegada da pandemia, em março de 2020, foi observada uma queda acentuada no diagnóstico e tratamento de casos da doença no país, quando comparado a 2019.

No período, o Rio de Janeiro foi o estado com a maior proporção de casos (23,4%), seguido de São Paulo (16,8%) e Rio Grande do Sul (9,5%). Entre as capitais brasileiras, as maiores proporções foram identificadas nas cidades do Rio de Janeiro (14,8%), São Paulo (7%) e Manaus (6%).

Em relação à proporção de casos notificados de tuberculose resistente, segundo sexo e faixa etária no Brasil em 2019, os indicadores revelam maior proporção em indivíduos do sexo masculino em todas as faixas etárias, com maior concentração entre homens nas faixas etárias economicamente ativas de 30 a 39 anos e 40 a 49 anos, cada um correspondendo a 15,9%.

Entre os casos da doença resistente notificados no país de acordo com a autodeclaração de raça ou cor de pele, as maiores proporções foram observadas entre os pardos (50,7%), brancos (30,3%) e pretos (16,6%). Na variável escolaridade, houve predomínio de casos entre aqueles com 4 a 7 anos de estudo (39,4%), seguido daqueles com 8 a 11 anos (24,4%) e 1 a 3 anos (13,4%).

Os pesquisadores também avaliaram a distribuição dos casos de acordo com os quadros clínicos. Em 2019, a maior parte da versão resistente da doença foi de casos pulmonares (95,7%), formas mistas (2,6%) e extrapulmonares (1,7%).

Ao analisar o padrão de resistência, os indicadores mostram que 900 (66,1%) casos apresentaram resistência à rifampicina ou multirresistência; 351 (25,8%) resistência a apenas um antibiótico, exceto rifampicina; 102 (7,5%) polirresistência; e 9 (0,7%) resistência extensiva.

Os indicadores também revelam uma proporção de 52,4% de sucesso terapêutico (tratamento completo + curado) entre os casos novos de tuberculose resistente no Brasil em 2019, seguida por 28% de abandono. Os estados de Goiás e Rondônia apresentaram as maiores proporções de abandono. Já as maiores proporções de sucesso terapêutico foram reportadas nos estados do Amapá, Acre e Mato Grosso do Sul.

O estudo revela ainda que, entre os casos de doença resistente do grupo em tratamento de 2019 no Brasil, 16% tiveram diagnóstico de HIV, com destaque para a não realização do exame sorológico para HIV em 15,3% dos casos notificados. Para as pessoas vivendo com HIV, a coinfecção por tuberculose é a principal causa de óbitos.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Dia Mundial da Tuberculose: conheça os principais sintomas da doença no site CNN Brasil.


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