Arsenal joga com inteligência, anula Philippe Coutinho e conquista resultado importantíssimo na Premier League


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação dos comandados de Mikel Arteta na vitória sobre o Aston Villa de Steven Gerrard neste sábado (19)

Cinco vitórias seguidas na Premier League jogando na casa do adversário. Ataque inteligente para encontrar espaços, meio-campo criativo e defesa bem organizada. A fase do Arsenal de Mikel Arteta no “Inglesão” é realmente notável. E a vitória por 1 a 0 sobre o Aston Villa de Steven Gerrard, Douglas Luiz e Philippe Coutinho só comprova essa ótima maré de bons resultados. Ainda que os Gunners tenham sido superados pelo Liverpool na quarta-feira (16), a equipe londrina se recuperou logo do revés e mostrou sua força para se manter na zona de classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões. E isso jogando sem Gabriel Martinelli, um dos principais jogadores do Arsenal e que ficou de fora da partida deste sábado (19) devido a um problema de saúde ainda não especificado.

É possível dizer que Mikel Arteta começou a vencer o jogo na escalação e na escolha do desenho tático para sua equipe. O espanhol apostou num 4-2-3-1/4-2-4 que tinha em Smith Rowe e Bukayo Saka os pontas com os “pés invertidos” e em Martin Ødegaard a sua principal referência criativa no setor ofensivo. Mais na frente, Lacazette arrastava a dupla de zaga do Aston Villa e abria os espaços para a chegada dos demais companheiros de equipe. E falando no time de Birmingham, este que escreve viu no 4-3-2-1 (a popular “árvore de Natal”) de Steven Gerrard um equívoco para enfrentar um adversário bem postado na defesa e que concedia pouco na frente da sua área. A consequência disso é que Philippe Coutinho foi facilmente anulado por Thomas Partey e Xhaka e pouco pôde fazer na partida.

Arsenal vs Aston Villa - Football tactics and formations

Formação inicial das duas equipes. Mikel Arteta mandou o Arsenal a campo num 4-2-3-1/4-2-4 e Steven Gerrard apostou na conhecida “arvore de Natal” no Aston Villa.

É difícil dizer até onde Philippe Coutinho acabou prejudicado pelo esquema tático escolhido por Steven Gerrard. Certo é que ele jogou no setor onde se sente mais confortável, mas sempre que recebia a bola, haviam pelo menos dois jogadores adversários fechando o espaço e bloqueando as linhas de passe. Ao mesmo tempo, Buendía precisava recuar a todo momento para auxiliar Matty Cash na marcação a Smith Rowe pela direita e McGinn precisava fazer o mesmo movimento pelo outro lado. O gol de Saka aos 29 minutos do primeiro tempo foi a consolidação dessa superioridade técnica e tática do Arsenal na partida. Os números do SofaScore apontavam apenas 43% de posse e nenhuma finalização a gol por parte do Aston Villa. Prova de que os Gunners executavam o plano de Mikel Arteta com extrema precisão.

Vale destacar aqui a boa atuação do zagueiro Gabriel Magalhães na partida. Por mais que a formação do Aston Villa facilitasse a vida dos defensores do Arsenal, o camisa 6 foi preciso na contenção dos espaços e na leitura dos movimentos do ataque do Aston Villa. Mais na frente, Martin Ødegaard sempre procurava o espaço vazio para distribuir os passes e acionar Smith Rowe, Lacazette e Saka, este último autor do gol de número dois mil dos Gunners na história da Premier League. Mesmo sem ser brilhante e jogar um futebol de encher os olhos, o Arsenal conseguia levar ampla vantagem no meio-campo e fazer bom uso da posse de bola que tinha. Do outro lado, Douglas Luiz sofria com a tarde ruim de Jacob Ramsey e John McGinn na marcação e acabou sobrecarregado na proteção da zaga.

Mas também é preciso dizer que Steven Gerrard demorou demais para fazer o óbvio. Somente aos 24 minutos do segundo tempo é que o comandante do Aston Villa mudou a formação inicial da sua equipe com as entradas de Leon Bailey e Bertrand Traoré nos lugares de Ramsey e Buendía. Com os Lions jogando em algo mais próximo de um 4-2-3-1, Mikel Arteta apenas trouxe as linhas do Arsenal para trás e mandou Pépé e Nketiah para o jogo justamente com o objetivo de aproveitar esse espaço que apareceria na frente. O Aston Villa teve 52% de posse de bola na segunda etapa e finalizou oito vezes, mas apenas uma delas foi na direção da meta de Leno. Mikel Arteta ainda mandou o zagueiro Holding para o jogo (no lugar de Martin Ødegaard) e fechou a sua área com uma linha de cinco defensores.

Aston Villa vs Arsenal - Football tactics and formations

Steven Gerrard viu o Aston Villa crescer com as substituições e a mudança na formação. Mas não foi suficiente para superar um Arsenal organizado e forte na defesa.

Os três pontos conquistados no Villa Park consolidaram o Arsenal na zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões com 54 pontos, quatro à frente do Manchester United (que vem em crise após a derrota para o Atlético de Madrid na Champions League). A confiança do elenco nas últimas partidas também é facilmente percebida e explica bem a boa atuação do escrete londrino apesar do desfalque de Gabriel Martinelli. Os Gunners foram inteligentes em todos os setores e extremamente felizes na marcação em cima de Philippe Coutinho, a grande referência técnica e criativa do Aston Villa. Por mais que Steven Gerrard tenha facilitado a vida de Mikel Arteta com uma “árvore de Natal” fora de época, a atuação coletiva do Arsenal em Birmingham fala por si só. Vitória justíssima e sem contestações.

A partida deste sábado (19) também comprova o acerto de Tite na convocação da Seleção Brasileira. Por mais que Philippe Coutinho não tenha brilhado no confronto contra o Arsenal, Gabriel Magalhães justificou sua convocação mais uma vez. E diante do que se tem à disposição, a ótima tarde do Arsenal mostrou que o zagueiro não foi lembrado por acaso. A boa fase do escrete londrino na Premier League também ajuda bastante.

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