Nova convocação da Seleção Feminina reforça convicções de Pia Sundhage e abre vagas para mais experiências


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as novidades e as polêmicas das escolhas da treinadora sueca para os amistosos contra Espanha e Hungria

A técnica Pia Sundhage anunciou nesta sexta-feira (18) a lista de jogadoras que vão defender a Seleção Feminina nos jogos amistosos contra Espanha e Hungria nos dias 7 e 11 de abril. E como sempre acontece, as escolhas da treinadora sueca dividiram opiniões e provocaram todo tipo de reação possível. Este que escreve, num primeiro momento, viu na lembrança de nomes como Thaís (zagueira do São Paulo), Duda Santos (volante do Palmeiras), Yngrid (volante da Ferroviária) e Gabi Nunes (atacante do Madrid CFF) a certeza de que alguns setores ainda contam com vagas abertas para a disputa da Copa América. Por outro lado, o grupo escolhido nesta sexta-feira (18) também reforça algumas das convicções de Pia Sundhage em determinados setores da Seleção Feminina. Há uma espinha dorsal. Mas ainda existem vagas abertas na equipe.

Não há nada de errado com o fato desta ou daquela treinadora ter suas convicções, seus modelos de jogo e trabalhar em cima daquilo que acredita. Sarina Wiegman, Jill Ellis e vários outros grandes nomes do futebol feminino mundial trabalham nessa linha. Existem também aqueles que são mais maleáveis. Que gostam de trabalhar em cima das características das jogadoras que têm à disposição. Seja como for, o velho e rude esporte bretão já nos mostrou mais de uma vez que não existe um estilo correto ou mais vitorioso do que outro. Afinal, estamos falando de uma modalidade que é caos puro. Pia Sundhage segue seus conceitos e convicções como qualquer outro treinador e busca montar a Seleção Feminina de acordo com o que tem em mãos. E está tudo bem. A questão maior está no encaixe das peças escolhidas pela sueca.

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Isso porque já se sabe que escolha da formação para a equipe brasileira já está condicionada por conta da presença de Marta. Nada contra a nossa Rainha. Muitíssimo pelo contrário. Mesmo com 36 anos e sem a mesma explosão física de outros tempos, ela ainda impõe respeito nas adversárias e serve de referência para uma Seleção Feminina mais renovada e que busca um futebol mais físico e intenso do que em outros tempos mais românticos do futebol feminino. No entanto, ela precisa que o time seja montado em torno dela, para distribuir passes, pisar na área e assumir a liderança da equipe dentro de campo sem se preocupar com obrigações defensivas. E vale lembrar também que Pia Sundhage não abre mão da experiência. Prova disso são as presenças constantes de Debinha, Tamires, Letícia Santos e Rafaelle nas suas convocações.

Não foi por acaso que a treinadora sueca posicionou Marta como “camisa 10” de fato e de direito depois dos Jogos Olímpicos (quando ela jogou aberta pela esquerda para permitir que Debinha jogasse no ataque junto de Bia Zaneratto). Ao invés de ponta, nossa Rainha é a jogadora que explora a chamada “Zona 14” do campo. Até aí, tudo bem. O grande X da questão está em outro setor da Seleção Feminina: a defesa. Tudo por conta das constantes convocações de Tamires como lateral-esquerda mesmo sabendo que ela vem jogando (e muito bem) como uma “ponta-armadora” no Corinthians de Arthur Elias. E já ficou claro que Pia Sundhage não vê outro nome em condições de assumir a posição na sua equipe.

Acaba que a treinadora sueca precisa realizar outras compensações na Seleção Feminina por conta das características daquela que é uma das suas jogadoras de confiança. Esse cenário fica ainda mais complicado quando se percebe que a reserva da camisa 37 do Corinthians ainda não está definida. Pia Sundhage iniciou o ciclo testando Katrine e Yasmim e agora aposta na versatilidade de Fê Palermo. No entanto, a lateral do São Paulo não é tão ofensiva quanto a camisa 6 do escrete canarinho. E esse choque de características é mais uma questão que precisa de atenção na equipe brasileira. Ainda mais quando falamos de jogos contra adversários mais qualificados.

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Este que escreve sabe muito bem que Pia Sundhage tem predileção pelo 4-4-2/4-2-4 com linhas bem compactadas e organizadas na frente da área. É possível pensar numa formação para a Seleção Feminina utilizando esse sistema como base e apenas modificando a equipe nos momentos de posse de bola. Antônia pode jogar como “lateral-base” num desdobramento para um 3-5-2 que teria Kerolin fechando o lado direito, Bia Zaneratto como referência de ataque (mais próxima de Marta), Ary Borges abrindo o corredor para as subidas de Tamires e Angelina e Luana protegendo a dupla de zaga. Ainda que estejamos pensando o escrete canarinho em cima de “compensações táticas”, é possível competir sim em alto nível nessa organização ofensiva se as jogadoras melhorarem as tomadas de decisão e aumentarem o nível de concentração. Exatamente como Pia Sundhage falou na entrevista coletiva.

Selecao Feminina - Football tactics and formations

Antônia guardando posição na direita, Tamires mais solta, Kerolin e Ary Borges pelos lados e Luana protegendo a zaga. O 3-5-2 em momentos ofensivos pode ser uma saída para a Seleção Feminina.

Sobre as demais novidades da lista de Pia Sundhage, a escolha por Mayara (goleira do Internacional) indica que a terceira vaga no gol da Seleção Feminina ainda está aberta. Ainda mais diante da excelente fase de Lorena e da confiança depositada em Lelê. Por outro lado, a aposta em Giovana Campiolo (zagueira do Corinthians) vai em outra direção. Por mais que a treinadora sueca queira realizar testes e dar minutos para jogadoras mais versáteis, está bem claro para este que escreve que a vaga na defesa está sendo guardada para a experiente Érika (que se recupera de séria lesão no joelho). Há como se lamentar as ausências de Gio, Júlia Bianchi, Ivana Fuso e de outras jogadoras que estavam no radar, mas nada que soe absurdo ou injusto diante de todos os nomes confirmados no grupo que vai enfrentar a Espanha e a Hungria no mês de abril.

Certo é que Pia Sundhage terá dois ótimos testes antes da Copa América. Com muitas críticas direcionadas a ela por conta dos últimos desempenhos da Seleção Feminina, a missão mais urgente da treinadora sueca é recuperar a consistência do sistema ofensivo da sua equipe (fato que explica a aposta em Bia Zaneratto e em outros nomes). Mas ficou bem claro para este que escreve que, apesar das fortes convicções da comandante do escrete canarinho, ainda há vagas abertas dentro do elenco. E não será surpresa nenhuma se alguma jogadora perder a vaga na Copa América.

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