Entidades comentam esclarecimento do aumento de preços da Petrobras


Entidades do setor de combustíveis se pronunciaram após a Petrobras divulgar uma nota que explica a última elevação dos preços. Nesta sexta-feira (18), a estatal afirmou que nos últimos meses, o mercado internacional de petróleo enfrentou uma elevada variação de preços, tendo a Covid-19 em grande parte como pano de fundo e agora, por conta da guerra na Ucrânia.

Segundo o Observatório Social da Petrobras, uma organização da sociedade civil que pesquisa os impactos da privatização da petrolífera, o principal responsável pelos aumentos é a política do Preço de Paridade de Importação (PPI), definido pelo governo federal. A instituição também ressaltou que a guerra na Ucrânia não é a responsável pelo cenário atual.

“Ao contrário do que sugere a nota da companhia, não foi a guerra entre Rússia e Ucrânia que gerou preços impagáveis no Brasil. Esse episódio apenas piorou a situação, pois desde o segundo semestre do ano passado o brasileiro já vem pagando os maiores valores de combustíveis da história”, pontuou.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, defendeu que a justificativa dada pela Petrobras está “corretíssima” e que a medida se faz necessária para que a defasagem dos preços não cresça.

“Esse aumento se fez necessário por conta do mercado internacional e, logo, não se pode deixar que a defasagem aumente mais ainda. Os preços desalinhados não podem prejudicar o que foi acertado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e com os acionistas. A gente lembra que não é só a União que é acionista, hoje”, explicou Araújo.

O diretor presidente da Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro), Mário dal Zot, argumentou que o controle de preços é o caminho para que a Petrobras se desvincule da paridade.

“Demonstra o quão importante é o que nós viemos falando há muito tempo. Do controle de preços, tão necessário, da Petrobras, principalmente. Que é quem produz a maior parte do combustível aqui para o Brasil. Um bem tão essencial à população brasileira, à sociedade brasileira como um todo. Desde a dona de casa até o transporte. E esse controle é quase obrigatório de ser feito por uma nação que se preze como soberana. Coisa que não vem acontecendo no Brasil”, afirmou dal Zot.

Na nota de esclarecimento divulgada nesta sexta-feira (18) pela Petrobras, a estatal disse que avaliou a conjuntura de mercado e preços, por isso, decidiu não repassar de imediato a volatilidade, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo. E que, apenas na semana passada, dia 11 de março, decidiu reajustar seus preços de venda às distribuidoras de gasolina, diesel e GLP, após serem observados preços em patamares consistentemente elevados.

Os reajustes foram no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que, antes da Petrobras, já haviam promovido ajustes nos seus preços de venda, e necessários para que o mercado brasileiro continuasse sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras.

A estatal ressaltou que busca um equilíbrio com o mercado e tenta evitar repasses para os preços internos, das variações das cotações internacionais e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Entidades comentam esclarecimento do aumento de preços da Petrobras no site CNN Brasil.


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