É verdade que os presidentes protegem seu DNA?


Pouco antes da invasão da Rússia na Ucrânia, o presidente da França, Emmanuel Macron, se encontrou em Moscou com Vladimir Putin. Diante dos protocolos de saúde, Macron podia submeter-se a um teste RT-PCR feito pelas autoridades russas (se desse negativo, ele poderia se aproximar de Putin) ou não fazer e permanecer afastado. Macron escolheu a segunda alternativa.

A agência Reuters divulgou que o exame não foi feito para evitar que a Rússia roubasse o DNA de Macron. Mas o gabinete do líder francês negou.

Em 2009, Ronald Kessler, autor especializado em temas da Casa Branca, publicou um livro sobre os bastidores do serviço secreto presidencial. E contou que comissários da Marinha eram responsáveis por reunir lençóis, copos e outros itens que o presidente tivesse tocado, para então higienizá-los ou destruí-los – de modo a impedir que alguém colocasse as mãos nesse precioso material genético.

Em 2010, documentos vazados pelo WikiLeaks mostraram que Hillary Clinton, à época Secretária de Estado dos EUA, solicitou que diplomatas americanos coletassem “informações biométricas” (como DNA) detalhadas de funcionários-chave da ONU, bem como representantes permanentes do Conselho de Segurança da China, Rússia, França e Reino Unido.

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Os dois casos deram margem para a especulação. Em 2012, uma reportagem da revista The Atlantic levantou a hipótese de que, no futuro, com o avanço da genética, seria possível criar armas biológicas tão personalizadas a ponto de atingirem pessoas baseadas apenas no seu DNA – o que poderia colocar chefes de estado em perigo.

Mas, afinal: já é possível criar armas personalizadas assim? “É pura ficção científica”, diz Tábita Hünemeier, professora de genética da USP. “Seria um grau de refinamento tão grande, e que consumiria tanto tempo, que o mandato do presidente terminaria antes do fim da pesquisa.”

Entretanto, Tábita ressalta que a preocupação é válida se pensarmos sob o viés da guerra pela informação. Nosso DNA é único, como um código de barras. No futuro, é possível que tenhamos o mesmo cuidado em compartilhá-lo como temos com nossos documentos, senhas, dados bancários etc. Só nos EUA, 38 milhões de pessoas já fizeram testes de ancestralidade – e o FBI já pediu permissão para consultar bancos de dados genéticos para encontrar criminosos.

“Em testes de ancestralidade e pesquisas científicas, é preciso preencher um formulário, no qual você determina o que será feito com o seu material genético após a coleta”, explica. “Essa informação não pode parar em bancos de dados sem o consentimento da pessoa. É uma propriedade privada.”

Pergunta de @lipeguard, via Instagram

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