Vacina da chikungunya gera resposta imune em 96% dos voluntários, diz Butantan


O Instituto Butantan fechou acordo com a farmacêutica franco-austríaca Valneva para a produção de uma vacina de dose única contra chikungunya em maio de 2020. Nesta terça-feira (15), o Butantan divulgou resultados do ensaio clínico de fase 3 do imunizante, que apontam uma alta capacidade de indução da resposta imunológica e segurança.

O estudo conduzido nos Estados Unidos, com a participação de 4.115 voluntários com mais de 18 anos, mostrou que a capacidade de gerar resposta imunológica, chamada tecnicamente de imunogenicidade, alcançada após a vacinação, permaneceu por ao menos seis meses, sendo que 96,3% dos indivíduos mantiveram a produção de anticorpos durante esse período.

Segundo o Butantan, a duração da imunidade continuará sendo monitorada periodicamente com testes sorológicos durante pelo menos cinco anos.

Perfil de segurança

Segundo o chefe médico da Valneva, Juan Carlos Jaramillo, o estudo confirma a segurança, tolerabilidade e imunogenicidade da vacina em adultos e idosos. “Entregar pela primeira vez os resultados finais de fase 3 de uma vacina contra chikungunya significa que estamos um passo mais próximos de solucionar uma importante e crescente ameaça de saúde pública”, afirmou Jaramillo em um comunicado.

A avaliação de segurança foi feita com 3.082 voluntários. De acordo com o Butantan, a maior parte das reações adversas relatadas foram leves a moderadas. Cerca de 50% dos participantes apresentaram reações sistêmicas como dor de cabeça, fadiga e dor no local da injeção, que se resolveram em poucos dias. Apenas 2% dos participantes reportaram efeitos mais severos, sendo febre o mais comum.

Os achados dos estudos de fase 3 vão ao encontro dos resultados encontrados anteriormente nos ensaios clínicos de fase 1 e 2, realizados em 2018. À época, 120 pessoas de 18 a 45 anos, que nunca tiveram contato com o vírus chikungunya, participaram como voluntários. Todos os participantes apresentaram a resposta imunológica após 14 dias da aplicação da dose única, sendo que os anticorpos foram mantidos após um ano. Além disso, não foram registrados eventos adversos graves no mesmo período.

Próximos passos

Ensaios clínicos com a vacina da chikungunya também estão sendo realizados no Brasil com o objetivo de avaliar o uso do imunizante em uma região endêmica da doença. O estudo terá duração de 15 meses e contará com 750 voluntários, todos adolescentes de 12 a 17 anos.

Os primeiros passos do ensaio clínico conduzido pelo Butantan tiveram início no final de janeiro em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Os testes também serão realizados em centros de pesquisa da capital paulista, de Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Aracaju (SE) e Campo Grande (MS).

O gerente de parcerias estratégicas e novos negócios do Butantan, Tiago Rocca, avalia que os resultados de segurança e resposta imune em adultos dos Estados Unidos são indicadores positivos para a realização dos testes em adolescentes. “Os dados trazem uma confiança maior de que estamos no caminho certo e teremos uma vacina em breve”, afirmou.

Sobre a chikungunya

A chikungunya é uma doença febril aguda, causada pelo vírus chikungunya, que pode ser transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite os vírus da dengue e Zika. A transmissão do vírus acontece pela picada de fêmeas de mosquitos infectados, não existindo transmissão entre pessoas.

Embora o vírus possa afetar pessoas de qualquer idade ou sexo, os sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos.

Os principais sinais e sintomas são febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos, como dedos, tornozelos e pulsos. Alguns pacientes podem apresentar dores de cabeça e nos músculos e manchas vermelhas na pele.

O tratamento é feito de acordo com os sintomas, uma vez que não há tratamento antiviral específico para chikungunya.

O vírus chikungunya foi introduzido no continente americano em 2013, quando causou uma onda de casos em diversos países da América Central e ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por testes laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e Bahia. Atualmente, todos os estados registram a transmissão da doença.

Conheça os principais criadouros do Aedes aegypti

Este conteúdo foi originalmente publicado em Vacina da chikungunya gera resposta imune em 96% dos voluntários, diz Butantan no site CNN Brasil.


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