Mortes por calor devem se tornar mais frequentes nas Américas, diz rede internacional


A região das Américas (Sul, Norte e Central) deve enfrentar aumentos na mortalidade e de problemas de saúde relacionados ao calor. A lista inclui exaustão e insolação, além de doenças cardiovasculares, renais e respiratórias relacionadas à exposição às altas temperaturas.

É o que revela uma pesquisa realizada pela Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS). O relatório, divulgado nesta terça-feira (8), revelou que o excesso de mortalidade tem sido projetado em muitos países ao longo do século, incluindo Brasil, Canadá, Estados Unidos, Chile e Colômbia.

Segundo o documento, foi realizada uma série de estudos epidemiológicos nos países das Américas. No Brasil, foi feita uma investigação da variação e do papel da temperatura nas internações hospitalares no sistema público de saúde.

A rede analisou 15 anos de internações diárias com dados obtidos de 1.869 hospitais com área de abrangência que representa aproximadamente 70% da população brasileira. Os dados concluíram que os desvios de temperatura da zona de conforto térmico foram significativamente associados ao aumento das hospitalizações por diferentes doenças, como as cardiovasculares, respiratórias e diabetes.

De acordo com o relatório, crianças, idosos, indivíduos desnutridos e pessoas economicamente desfavorecidas foram os mais afetados pelas temperaturas extremas no país. Para os pesquisadores, esses resultados reforçam o conceito de que as mudanças climáticas além de afetar a biodiversidade e provocar consequências graves para a saúde, também afetam os direitos e a dignidade humana.

Em 2021, uma onda de calor que atingiu a Colúmbia Britânica, uma província localizada no Canadá, entre junho e julho, provocou mais de 500 mortes. Na comparação com anos anteriores, o número de óbitos representou um aumento de 300% na mortalidade relacionada ao calor. Dessas mortes relacionadas às altas temperaturas, 79% das vítimas tinham 65 anos ou mais, segundo o levantamento.

O relatório alertou que as mudanças climáticas também estão aumentando a frequência, intensidade e distribuição dos incêndios florestais. A fumaça causada por eles contém material particulado que afeta a saúde respiratória das populações que vivem nas Américas. No Sul e Oeste da Amazônia brasileira, aproximadamente 10 milhões de pessoas estão expostas à fumaça das queimadas, o que impacta a saúde e eleva custos para o sistema de saúde pública.

Disparidade dos impactos entre os países

Os pesquisadores ressaltam que os impactos das mudanças climáticas na saúde não serão experimentados de forma equitativa. Certas populações correm um risco desproporcionalmente alto de sofrer com problemas de saúde devido a interações complexas entre fatores geográficos, políticos e econômicos, bem como determinantes sociais da saúde, incluindo gênero.

Aqueles que vivem em países de baixa renda, por exemplo, e que contribuem menos para as emissões globais de gases de efeito estufa, normalmente carregam uma carga maior de impactos na saúde relacionados ao clima, como diz o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2018.

A pesquisa do IANAS ainda traz um dado alarmante: os países de baixa renda têm seis vezes mais chances de serem afetados por desastres climáticos e sete vezes mais chances de que os eventos levem à morte de muitas pessoas, quando comparado com nações que têm população de alta renda. Segundo o estudo, isso acontece, pois esses países têm recursos mais limitados para áreas como saúde e saneamento básico e menos políticas públicas para mitigar esses efeitos do clima.

Ações para reduzir o problema

O relatório sugere algumas medidas para suavizar os efeitos climáticos na saúde. De acordo com os especialistas, é indispensável aumentar a conscientização pública sobre os riscos à saúde, incluindo orientação nas escolas; planos de ação de calor; modificações no ambiente construído para lidar com temperaturas mais altas; incorporar explicitamente as disposições de saúde nos planos de gestão de risco de desastre; sistemas integrados de vigilância e resposta ao ambiente e à saúde; e melhor acesso a serviços essenciais, incluindo sistemas melhorados de água, saneamento e higiene.

“É necessário reduzir os efeitos e as emissões em si. Existem várias vias para que a ação contra o clima possa melhorar a saúde, mas precisamos que as políticas públicas comecem a agir”, observa o professor de saúde pública e mudanças climáticas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Andrew Haine.

*sob supervisão de Helena Vieira, da CNN

Este conteúdo foi originalmente publicado em Mortes por calor devem se tornar mais frequentes nas Américas, diz rede internacional no site CNN Brasil.


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