Dia das Mulheres: 5 bandas que provam que o futuro do rock é feminino


Nos últimos dias, um trecho de uma live do músico (e, atualmente, comentarista de tudo) Ed Motta viralizou bastante em várias redes sociais. No recorte, o artista comenta, entre outras coisas, que o pessoal “de rock” é “misógino”.

O carisma hipnotizante e a eloquência de Ed podem até nos fazer perder o foco da importância e relevância do que é dito, mas é fato que, por muito tempo, o cenário musical do estilo realmente não tinha muita abertura para bandas e artistas femininos.

Apesar do sucesso de nomes como Blondie, The Runnaways, Heart e, aqui no Brasil, Rita Lee, sempre quando se fala em rock, invariavelmente bandas totalmente integradas por homens é que são lembradas e cultuadas.

Com o passar das décadas, assim como em vários outros setores da sociedade, as mulheres passaram a conquistar mais e mais espaço nesse nicho tão fechado: L7, Hole, Alannis Morisette, Paramore, Pitty são alguns dos exemplos.

Nos últimos anos, porém, não só artistas femininas conseguiram manter sua voz relevante e ativa como tomaram uma posição de vanguarda dentro do estilo, trazendo inovações sonoras e estéticas que apontam para um futuro moderno e cheio de atitude para o estilo.

Assim sendo, vamos de lista? Trazemos aqui 5 exemplos de artistas e bandas que provam que o futuro do rock é feminino:

1 – Nova Twins – Inglaterra

Apesar do nome, Amy Love (guitarra e vocal) e Georgia South (baixo, vocais de apoio e programações) não são irmãs gêmeas. As duas amigas formaram o grupo em 2014 em Londres ainda com o nome BRAATS e lançaram a música “Bad Bitches”.

No ano seguinte divulgaram o primeiro single, já como Nova Twins: “Bassline Bitches” (dá pra notar um certo padrão aí, hein…) foi bem recebida e garantiu um contrato com o selo independente Robotunes.

Lançaram o primeiro álbum, intitulado “Who Are The Girls?”, em 2020 e, no mesmo ano, ganharam o prêmio de Melhor Banda Revelação do Reino Unido no Heavy Music Awards.

A sonoridade pesada, que passeia pelo hip hop e o punk, sempre com o baixo pesado e marcante de Georgia South ditando o ritmo (literalmente, no caso), chamou a atenção de Tom Morello, guitarrista do Rage Against The Machine, que as classificou como “a melhor banda que você nunca ouviu falar”.

No começo do ano, o lançamento do segundo álbum, “Supernova”, para junho de 2022 e soltaram o primeiro single do trabalho.

2 – Amyland The Sniffers – Austrália

Não tem como assistir a algum vídeo de performance ao vivo de Amy Taylor (vocalista) sem exclamar um sonoro “ô louco” ao final! A energia e o carisma da frontwoman é impressionante.

Com um som calcado no punk e no rock australiano dos anos 1970, o grupo (completado pelo baterista Bryce Wilson, o guitarrista Dec Martens e o baixista Fergus Romer) foi formado em 2016 na Austrália.

De lá pra cá, lançaram dois álbuns, fizeram turnês bem-sucedidas no país natal e pela Europa, chamaram atenção de Dave Grohl (que os convidou para abrirem os shows do Foo Fighters na mais recente turnê australiana da banda) e ganharam o prêmio de Melhor Álbum de Rock do ARIA Music Awards (maior premiação da música australiana) em 2019 com seu primeiro álbum auto-intitulado.

Em 2021, divulgaram “Confort To Me”, segundo trabalho de estúdio, que mantém a sonoridade crua e pesada mas traz algumas referências do rock nova-iorquino do começo dos anos 80, do post-punk e do hardcore.
Se tiver a chance de ver a banda ao vivo, vá (e grava pra postar na internet depois, por favor)!

3 – The Linda Lindas – Estados Unidos

“Um pouco antes de entrarmos em lockdown, um garoto da minha classe veio até mim e disse que seu pai o mandou ficar longe de pessoas chinesas. Depois de eu dizer que sou chinesa, ele se afastou de mim”. Assim começa um dos vídeos mais punk rock das últimas décadas.

A fala é de Mila de la Garza, baterista e vocalista da banda The Linda Lindas, e ela faz o discurso pouco antes de tocar “Racist, Sexist Boy” (primeiro single do grupo), em um show gravado na livraria pública de Los Angeles. Além de Mila, completam a formação da banda sua irmã Lucia de la Garza, a prima Eloise Wong e a amiga Bela Salazar.

O vídeo da apresentação foi postado no YouTube, viralizou e, em pouco tempo, as meninas foram contratadas pela Epitaph Records (uma das maiores gravadoras de punk rock do mundo, comandada por Brett Gurewitz – guitarrista da lendária banda Bad Religion), fizeram propaganda para a Fender (marca de instrumentos musicais) e foram convidadas a tocar a música no Jimmy Kimmel Live, um dos maiores talk-shows da TV norte americana.

As garotas já anunciaram o lançamento de seu primeiro álbum para abril desse ano e soltaram os dois primeiros singles do trabalho: as ótimas Growning Up e Talking To Myself.

Ah, detalhe: as integrantes têm entre 11 e 17 anos apenas.

4 – Babymetal – Japão

Kawaii é um adjetivo que, em japonês, quer dizer “fofo, gracioso, adorável” (e também é o nome de uma rede social). Já Kawaii Metal é a junção do J-Pop (música pop com elementos da cultura japonesa) e do heavy metal. Sim, tô falando sério! Isso existe, e o maior expoente desse estilo é o Babymetal.

A banda foi formada em 2010 pelo produtor Kobametal. Sua ideia era usar o talento de SU-Metal (ex-integrante do grupo pop Sakura Gakuin) em uma banda de kawaii metal. Ele completou a formação com YuiMetal e Moametal (de apenas 10 anos de idade na época), para adicionar ainda mais camadas de doideira em todo o projeto, contrastando as performances angelicais das meninas com o som extremamente pesado.

O sucesso veio rápido. O primeiro trabalho do grupo foi lançado em 2014 e foi o álbum japonês mais vendido no mercado norte-americano daquele ano, chamando atenção de artistas do mundo todo, como o grupo britânico Bring Me The Horizon, que as convidaram a participar de uma faixa de seu lançamento mais recente.

Em 2019, lançaram Metal Galaxy, que foi ainda mais longe: estreou em 13º lugar na parada da Billboard, a melhor posição de um álbum em língua japonesa na história.

5 – Crypta – Brasil


Para finalizar nossa lista, temos uma representante nacional do chamado “roque pauleira”, o famigerado Heavy Metal.

A Crypta é uma banda de death metal e foi formada em 2019 por Fernanda Lira, ex-vocalista e baixista do Nervosa, grupo que vinha crescendo muito no cenário mundial. Após sua saída, Lira chamou a baterista Luana Dametto (também ex-Nervosa) e as guitarristas Tainá Bergamascho e Sônia Anubis (de nacionalidade holandesa).

Lançaram o primeiro trabalho em 2021: “Echoes Of The Soul” foi bem recebido pela crítica e teve a produção do aclamado Jens Bogren (famoso por trabalhar com nomes como Opeth, Dimmu Borgir e Sepultura).

Com uma turnê mundial já anunciada, a Crypta com certeza vai manter a tradição do Brasil na música extrema, vencendo preconceitos (que, no nicho do metal são ainda mais pesados – com o perdão do trocadilho) e barreiras linguísticas e culturais, como grandes nomes como Sepultura e Ratos de Porão já o fizeram e ainda fazem até hoje.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Dia das Mulheres: 5 bandas que provam que o futuro do rock é feminino no site CNN Brasil.


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