Aproveitamento de 81% e boa fase: o início de Pezzolano no ‘novo’ Cruzeiro


Enquanto o lado alvinegro de Belo Horizonte empilha títulos, o outro, azul, vê o início de um projeto que pode recolocar o Cruzeiro no cenário das grandes disputas do Brasil. Comprado por Ronaldo Fenômeno no fim de 2021, a tradicional equipe estava afundada em dívidas e vinha de dois anos na Série B, sem qualquer briga real pelo acesso. Com um investimento que visa o resgate do clube, os ventos mudaram. Para comandar o time, o uruguaio Paulo Pezzolano foi contratado e faz o melhor começo de temporada desde a queda.

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Escolhido já pela nova gestão, Pezzolano foi anunciado em 3 de janeiro e pôde participar do planejamento da temporada. Chegou à Toca da Raposa (CT do Cruzeiro) com uma comissão de confiança: auxiliar, preparador físico e analista de desempenho. O uruguaio de 38 anos já tem passagens pelo Montevideo Torque, Liverpool de Montevidéu e Pachuca, e foi contratado como uma esperança.

Os resultados iniciais são animadores. Em nove jogos no comando da raposa, foram sete vitórias, um empate, uma derrota, 81% de aproveitamento, 19 gols feitos e seis sofridos. Desde a temporada seguinte ao rebaixamento, sete técnicos passaram pelo Cruzeiro antes de Pezzolano. Foram Adilson Batista, Enderson Moreira, Ney Franco, Luiz Felipe Scolari, Felipe Conceição, Mozart Santos e Vanderlei Luxemburgo. Nenhum deles teve começo tão bom quanto do uruguaio.

Felipão e Luxemburgo, dois treinadores renomados com trabalhos recentes no Cruzeiros, foram desligados sem impressionar. O campeão mundial com a seleção brasileira saiu com nove vitórias em 21 jogos, enquanto Luxa teve seu trabalho interrompido com mais empates do que partidas vencidas.

Luxemburgo foi demitido do Cruzeiro na transição para a nova gestão –Bruno Haddad/Cruzeiro/Divulgação

O bom futebol dentro de campo é paralelo a uma calma fora dele, algo raro no Cruzeiro recente. Com a promessa de sanar as dividas pela implementação da SAF, o time conseguiu abater alguns débitos e foi liberado do “transfer ban”, medida da Fifa que impede o registro de novos atletas por clubes em situação delicada de endividamento.

Números ajudam a explicar

Se nas temporadas anteriores, os torcedores ficaram desanimados com os resultados e o desempenho do time, o contexto atual é diferente. Classificado para a segunda fase da Copa do Brasil após golear o Sergipe por 5 a 0, o time é líder do Campeonato Mineiro, com 19 pontos em oito jogos. Os grandes destaques vão para os atacantes Edu, autor de seis gols na temporada, e Vitor Roque, de 16 anos, que já balançou a rede três vezes no ano.

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Dono do melhor ataque com 14 gols, ao lado do Atlético Mineiro, a equipe de Pezzolano pode ser explicada com a ajuda de algumas estatísticas. De acordo com o site Footstats, no Campeonato Mineiro, o time é o 2º que mais troca passes por jogo (378,6) e o que menos permite que o adversário passe a bola – em média, os adversários do clube mineiro trocaram 211 passes por partida.

Edu, artilheiro cruzeirense, foi elogiado por Ronaldo –Marco Ferraz/Cruzeiro/Divulgação

Em resultado do alto número de passes, a posse de bola média do Cruzeiro no Mineiro é 57,6%. Assim, é possível estabelecer que a equipe é treinada para propor a partida, conduzindo e controlando os momentos com a cadência e o girar da bola. Um reflexo é a equipe ser a 3ª do torneio que menos sofre finalizações.

“O esquema depende do time que vou enfrentar, mas o que não troco no modelo de jogo é a intensidade que tem a equipe, ser uma equipe competitiva, ganhadora, que vá para frente.” Foi isso que prometeu Paulo Pezzolano ao ser apresentado na vitoriosa equipe mineira. E apesar do pouco tempo no comando, alguns dados corroboram a ideia inicial do uruguaio.

Com uma média de 13,7 chutes por partida, o Cruzeiro é o 3º neste ranking do Campeonato Mineiro. Mas, ainda assim, o time precisa de 7,8 finalizações para marcar um gol, número considerado mediano em comparação a grandes equipes – o Atlético-MG campeão brasileiro de 2021 fechou a campanha com essa estatística em 3,1.

Vitor Roque, de 16 anos, é destaque do Cruzeiro na temporada –Cruzeiro/Divulgação

Para chegar ao gol adversário, a equipe busca utilizar de passes no campo ofensivo para espaçar a defesa do rival. No entanto, pelo menos neste início de trabalho, o uso de cruzamentos é significativo, o que reflete numa participação ativa de laterais e pontas na construção. Pelo Estadual desta temporada, o Cruzeiro já realizou 236 bolas alçadas.

O caminho é longo e conquistar o acesso para a primeira divisão parece um desafio duro em uma Série B com Grêmio, Vasco e Bahia, tradicionais no Brasil e acostumados à elite do futebol. O orgulho do cruzeirense, contudo, está de volta e a torcedor segue abraçando o time e enchendo as arquibancadas. Desde a queda, não há a menor dúvida: é o momento em que o céu do Cruzeiro ficou mais azul.

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