Empate entre Athletico Paranaense e Palmeiras é marcado pelo equilíbrio nos erros, nos acertos e nas reviravoltas


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Alberto Valentim e Abel Ferreira no jogo de ida da Recopa Sul-Americana

Início de temporada é sempre uma época complicada para qualquer time do mundo. Todos buscam o entrosamento com os jogadores que estão chegando, o melhor condicionamento físico e a compreensão rápida dos conceitos trabalhados pelos treinadores. Com Athletico Paranaense e Palmeiras não é e nem poderia ser diferente. Ainda que cada equipe venha de um contexto específico, não havia outra coisa a se esperar nesta quarta-feira (23) além de uma partida extremamente equilibrada nos erros, nos acertos, no duelo tático entre Alberto Valentim e Abel Ferreira à beira do gramado e também nas reviravoltas. O empate em 2 a 2 no “primeiro round” da decisão da Recopa Sul-Americana acabou sendo o resultado mais justo diante do que nos foi apresentado na Arena da Baixada.

Mas também é preciso reconhecer que foi o Palmeiras quem acabou “rindo por último” com o gol marcado por Raphael Veiga no finalzinho da partida. A igualdade no marcador não deixa de ser um prêmio para a persistência do elenco alviverde e um castigo para o recuo excessivo do Athletico Paranaense e para o excesso de pragmatismo de Alberto Valentim. E não se trata apenas de olhar o jogo desta quarta-feira (23) apenas pelo resultado. O Furacão criou chances e poderia sim ter aproveitado muito mais os espaços que o escrete comandado por Abel Ferreira deixou no seu campo após o belo gol de Marlos aos 30 minutos da segunda etapa.

Ao mesmo tempo, o Palmeiras também sofreu com a ausência da sua dupla de zaga titular e com as dificuldades nas bolas aéreas (justamente um dos pontos fortes do Athletico Paranaense). O desgaste físico e mental por conta da maratona de jogos (incluindo a decisão do Mundial de Clubes da FIFA contra o Chelsea) também se fez presente no elenco alviverde. Talvez seja por isso que Abel Ferreira tenha comemorado a igualdade no placar na coletiva de imprensa. Como falado anteriormente, não se trata do resultado em si, mas de perceber até onde sua equipe poderia chegar nesse início de temporada. E isso também vale para o Athletico Paranaense.

É preciso dizer também que Alberto Valentim surpreendeu este que escreve com a escalação inicial do Furacão. Não pela quantidade de volantes que iniciaram o jogo desta quarta-feira (23), mas pela formação adotada na partida contra o Palmeiras. O treinador do Furacão apostou num 4-3-1-2 que trazia Matheus Fernandes, Erick e Hugo Moura na frente da zaga, Terans e Rômulo no comando de ataque e Léo Cittadini como uma espécie de “enganche”. Tudo para conter a movimentação de Raphael Veiga por dentro como “falso nove” do 4-3-3 adotado por Abel Ferreira. Danilo e Atuesta organizavam a saída de bola e Jailson jogava um pouco mais avançado para criar superioridade numérica no terço final. Havia intensidade nos movimentos dos dois times, mas o jogo demorou para “engrenar” na primeira etapa.

Palmeiras vs Athletico Paranaense - Football tactics and formations

Alberto Valentim apostou numa formação próxima do 4-3-1-2 no Athletico Paranaense. Já Abel Ferreira mandou o Palmeiras a campo num 4-3-3 com Jailson um pouco mais avançado.

O Palmeiras começou melhor o jogo, com os volantes pisando na área, Rony e Dudu explorando bem os espaços às costas de Marcinho e Abner, mas ainda sofrendo demais com as bolas aéreas. Ao mesmo tempo, Gustavo Gómez, Luan e Gustavo Scarpa fizeram muita falta na Arena da Baixada. Terans abriu o placar aos 21 minutos do primeiro tempo após confirmação do VAR. Seis minutos depois, Jailson empatava a partida em belo chute no ângulo de Santos. Aliás, se a partida terminou empatada, muito se deve ao goleiro do Athletico Paranaense. Foram pelo menos três grandes defesas. A mais bonita aconteceu num chute de Rony no final do primeiro tempo com a ponta dos dedos.

A segunda etapa trouxe um Palmeiras mais insinuante e mais presente no ataque com as substituições promovidas por Abel Ferreira. Ao invés do 4-3-3 inicial, o treinador português apostou num 4-2-4 com Wesley, Raphael Veiga, Rony e Dudu empurrando a defesa do Athletico Paranaense para trás e com Danilo e Zé Rafael na frente da zaga organizando a saída de bola. Embora tivesse mais posse e conseguisse mantê-la por mais tempo, o Palmeiras não conseguia ser tão efetivo. Raphael Veiga, por sua vez, seguia como o jogador mais perigoso e mais cerebral do time de Abel Ferreira sempre buscando o espaço e acionando seus companheiros com ótimos passes.

Curiosamente, o Athletico Paranaense fez o segundo com Marlos aproveitando erro de Raphael Veiga na entrada da área do Palmeiras. Essa foi a senha para que Alberto Valentim trouxesse sua equipe ainda mais para trás com as entradas de Nicolás Hernández e Zé Ivaldo nos lugares de Erick e Abner. Ao invés do 4-3-1-2 do primeiro tempo, um 5-2-3 que dava espaço demais para Gabriel Verón e Wesley pelos lados do campo. A entrada de Rafael Navarro pode não ter surtido efeito em gols, mas ajudou a dar profundidade a um Palmeiras que ainda necessita de um “camisa nove” de confiança. Mas toda a dedicação do elenco alviverde foi recompensada com o gol de Raphael Veiga após penalidade de Marcinho em Wesley. Era o prêmio para a perseverança do Verdão e também não deixa de ser um castigo pelo recuo excessivo do Furacão.

Athletico Paranaense vs Palmeiras - Football tactics and formations

O Palmeiras se soltou mais no segundo tempo com a mudança para o 4-2-4. Já o Athletico Paranaense pagou o preço por ter recuado demais e não ter aproveitados os espaços.

O empate no último minutos de jogo é sim motivo de comemoração no Palmeiras. O escrete comandado por Abel Ferreira poderá decidir o título da Recopa Sul-Americana diante da sua torcida no Allianz Parque e pode usar a confiança conquistada no jogo desta quarta-feira (23) para levantar mais uma taça. Por outro lado, o Athletico Paranaense mostrou repertório e consistência quando teve a posse da bola e procurou atacar. Weverton chegou a fazer defesa de cinema após finalização de Erick dentro da área. Hugo Moura, Marlos Terans e Léo Cittadini incomodaram bastante e provaram que podem ser muito úteis no jogo de volta. Ainda mais sabendo que o Furacão vai precisar de toda a experiência e qualidade possível para decidir mais um título. Desta vez, na casa do seu fortíssimo adversário.

Seja como for, o confronto segue completamente aberto. Se a força do Palmeiras já é bem conhecida de todos, o Athletico Paranaense de Alberto Valentim entendeu que não pode se dar ao luxo de abdicar do ataque como o fez na Arena da Baixada. Por outro lado, a única certeza que se tem sobre o jogo de volta da Recopa Sul-Americana é que ele pode ser tão ou mais equilibrado do que o “primeiro round”. Seja nos erros e acertos ou no duelo de estratégias na beira do gramado.

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