Cirurgias Plásticas: Quando vale a pena se submeter ao bisturi?


A pressão estética é tão grande que faz com que diversas mulheres se submetam a procedimentos inseguros – Foto: Divulgação

Os motivos que levam tantas mulheres a buscarem os procedimentos são os mais diversos e, em tempos de muita exposição de imagem em redes sociais e até mesmo em sites de relacionamentos, o que não faltam são pessoas em busca de uma aparência cada vez mais perfeita, a fim de se igualar às fotos dos perfis das influencers e famosas do mundo todo.

Guilherme Antunes, fotógrafo em Florianópolis, explica que “muitas mulheres não levam em conta a quantidade de edições que são feitas em fotografias de pessoas influentes e realmente acreditam que a aparência exibida em perfis com milhões de seguidores é algo alcançável”.

Fato é que o tratamento da imagem por meio da edição consegue, muitas vezes, fazer o que meses ou anos de academia e dieta não são capazes de proporcionar e que, quem não tem muitos recursos financeiros, dificilmente poderá atingir e manter o perfil de beleza padrão exposto nas redes sociais.

Outro ponto que chama atenção é o fato das cirurgias plásticas estarem acontecendo cada vez mais cedo na vida das mulheres.

Embora cirurgias consideradas corretivas, como é o caso da otoplastia (cirurgia que corrige as orelhas de abano), possam ser realizadas bem cedo, como no caso de Alessandra Ambrósio, modelo reconhecida mundialmente, que tinha apenas 11 anos quando realizou o procedimento, ainda há alguns casos que podem chocar pessoas mais conservadoras.

Anitta, por exemplo, já afirmou muitas vezes que realizou diversos procedimentos cirúrgicos para modificar sua aparência. O que muita gente não sabe é quantos anos de idade a artista tinha quando começou a fazer “plásticas”. Seu primeiro procedimento foi realizado aos 18 anos e a cantora afirmou que, durante a adolescência, utilizava Photoshop em todas as suas fotos, a fim de se sentir mais confortável com sua aparência.

Dr. Armando Cunha, especialista em cirurgia plástica no DF, explica que, segundo a ética médica, o cirurgião precisa ter como prioridade, a saúde do seu paciente, e que faz parte do seu trabalho verificar se os motivos que conduzem o desejo pela cirurgia são válidos.

Pacientes que desejam realizar próteses de silicone muito acima do indicado para sua estatura e peso, mulheres (principalmente) que desejam alterar sua aparência para satisfazer o desejo de outra pessoa (geralmente marido ou namorado), pessoas com transtornos alimentares que desejam fazer cirurgias para emagrecer, e diversas outras, podem ser, gentilmente, recusadas pelos médicos cirurgiões consultados, ao solicitar uma cirurgia.

A pressão pela estética perfeita é tão grande que faz com que diversas mulheres se submetam a procedimentos inseguros, arriscados e muito perigosos, em clínicas clandestinas ou com profissionais pouco ou nada qualificados, sofrendo com resultados mal sucedidos que podem, não apenas não satisfazer o desejo da paciente, como prejudicar sua estética e saúde. Rita Soares, advogada especializada em erro médico de cirurgias plásticas, cita que “muitas pacientes se culpam pelo procedimento mal sucedido sem saber que, atualmente no Brasil, eventos adversos na medicina são mais comuns do que se imagina e já são mais fatais, até mesmo, que o câncer”.

Falar sobre esses aspectos do mundo das cirurgias não visa, de modo algum, desmotivar quem tem o plano de realizar uma modificação estética, mas sim, fazer com que as pessoas pensem e repensem sobre os motivos que estão direcionando-as a essa decisão.

Vale dizer que, nem todo mundo que deseja realizar “melhorias” no corpo precisa se submeter ao bisturi.

Para quem não busca mudanças tão delicadas e só quer ficar “bem” nas fotos do dia a dia, existem ainda mais opções que são menos invasivas que uma cirurgia e geram resultados duradouros e, em alguns casos, reversíveis.

A harmonização facial pode ser feita com aplicação de ácido hialurônico – Foto: Divulgação

A harmonização facial, por exemplo, feita com aplicação de ácido hialurônico, tem sido uma opção mais segura do que as cirurgias plásticas, para quem deseja realizar modificações no rosto, como preenchimento de olheiras, definição de malar ou queixo, volumização de lábios e até a modificação da ponta do nariz e outros aspectos.

Além disso, quem não gosta do resultado, tem a possibilidade de fazer a reversão do procedimento, o que pode ser caro e, até mesmo, impossível, no caso de cirurgias plásticas.

A reversão dos procedimentos com ácido hialurônico pode ser feita pela maioria das pessoas, porém, há ressalvas, como explica o Dr. André Aguiar, que atua como alergista no Rio de Janeiro: “Quem possui alergia a picadas de abelhas deve estar atento à questão do despreenchimento facial, visto que a hyaluronidase, que dissolve o ácido hialurônico, também está presente no veneno do inseto e pode causar reações graves em pessoas alérgicas”.

Apesar disso, o preenchimento ainda costuma ser uma solução menos agressiva do que uma cirurgia, visto que, após alguns meses, o efeito desaparece e a paciente tem a opção de fazê-lo novamente ou não.

Como se pode notar, o que não falta no mercado estético são opções capazes de fazer com que as pessoas se sintam mais confortáveis com suas aparências, no entanto, não há nada de errado em recorrer aos cirurgiões ao encontrar algo em si mesmo com o qual não se identifique. No fim de tudo, a única coisa que importa, é levar muito a sério os motivos que estão conduzindo as mudanças e se lembrar de que, quando o assunto é internet e mídias sociais, quase nunca o que é visto é uma imagem real.