Avó e neta estão entre os 191 desaparecidos na tragédia em Petrópolis


Uma jovem sonhadora, solidária e justa. Talvez por essa última característica, descrita por parentes, que Olga Sorgini, de 26 anos, tenha escolhido a faculdade de Direito, concluída recentemente. A neta Olga Sorgini e a avó Bernardete Sorgini

No entanto, antes mesmo de enfrentar os tribunais, a advogada viu seu destino sentenciado por uma tragédia. Ela e a avó, a intérprete de libras Bernardete Sorgini, de 60 anos, tiveram a casa engolida por lama e pedras gigantes em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, na última terça-feira (15).

Segundo testemunhas, Bernadete chegou a deixar a casa antes do soterramento mas, como estava molhada e com frio, voltou ao imóvel para buscar um casaco e acabou surpreendida pelo deslizamento. Até o fechamento dessa matéria, avó e neta ainda não foram encontradas.

A neta Olga Sorgini e a avó Bernardete Sorgini / Arquivo Pessoal

Enquanto os bombeiros procuravam pelas duas e por moradores vizinhos, que ainda estão desaparecidos em meio aos escombros, Flávia Lopes via a esperança de encontrar a prima com vida, escorrer, assim como a chuva que voltou a cair na cidade nesta sexta-feira (19).

“Eu não tenho direito nenhum de pedir um milagre porque eu consegui salvar meus pais. Elas (Olga e Bernadete) são muito importantes pra gente, mas eu não sou melhor do que quem está aqui e perdeu familiares, mesmo assim, a gente fica muito mal nessa situação de não ter notícias”, contou a professora à CNN, enquanto chorava.

De acordo com Polícia Civil, ao menos 191 pessoas estão desaparecidas na tragédia em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Outras 24 pessoas foram resgatadas com vida pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo a Defesa Civil, desde terça (15), a cidade já registrou quase 700 chamados, sendo 546 deslizamentos. Ao todo, 967 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas e precisaram ser acolhidas em um dos 19 pontos de apoio instalados em escolas públicas do município.

O bancário Ricardo Iost, que ajudou a socorrer cerca de 10 pessoas durante a tragédia, descreve o sentimento de tristeza que toma conta de Petrópolis desde a última terça.

“Desesperador. Quando cheguei aqui e olhei para trás, já estava descendo a barreira dos dois lados, aí eu fiquei desesperado porque achei que tinha acabado tudo. É muito triste”, lamentou.

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