Objetividade, pontaria e uma boa dose de sorte: faltou um pouco de tudo ao Barcelona no empate contra o Napoli


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Xavi Hernández e Luciano Spalletti em jogo válido pela segunda fase da Liga Europa

É possível resumir a atuação do Barcelona no empate contra o Napoli nesta quinta-feira (17) em dois momentos distintos. A apatia e a falta de objetividade da primeira etapa e o “abafa” e a falta de pontaria da etapa final. Seja como for, os comandados de Xavi Hernández acabaram punidos pelos próprios erros e viram seu adversário aproveitar uma das únicas chances que tiveram no jogo válido pela segunda fase da Liga Europa. E é bom deixar claro que o escrete comandado por Luciano Spalletti nem teve uma atuação tão brilhante assim. Na prática, o Napoli jogou em cima dos erros de posicionamento do Barcelona na defesa e exploraram bem os problemas na recomposição. Principalmente pelo lado direito, onde Mingueza teve muita dificuldade para acompanhar Zielinski e Insige. Mesmo assim, o time catalão teve pelo menos cinco boas chances de sair com a vitória.

É verdade que Xavi Hernández vem conseguindo dar um mínimo de padrão tático e competitividade a um Barcelona que sofria demais com a falta de uma referência após a saída traumática de Messi para o Paris Saint-Germain. Mesmo assim, a política de contratações do clube é um dos pontos que mais vem prejudicando o desempenho do escrete blaugrana nas últimas temporadas. Isso porque a impressão que fica é a de que a “grife” vem falando mais alto do que o desempenho e as características de cada jogadores. Este que escreve não está dizendo que Adama Traoré e Aubameyang são jogadores ruins. A intenção é mostrar que não se monta um time apenas com “bons nomes”. É preciso mais do que isso.

E o técnico do Barcelona percebeu isso assim que retornou ao Camp Nou. Não somente pelo fato de ver uma série de atletas mal utilizados e um elenco que precisa de motivação extra por conta de todos os problemas financeiros deixados pela antiga diretoria. É por isso que a Liga Europa se tornou um objetivo forte no escrete catalão. Além da boa premiação pelo título, a competição é um “caminho mais curto” para a próxima edição da Liga dos Campeões, grande menina dos olhos dos dirigentes blaugranas. O problema é que Xavi Hernández se vê com a missão de “trocar o pneu do carro com ele andando”, isto é, dar consistência ao Barcelona com vários jogadores chegando ao clube. Não é fácil.

Todo esse processo de adaptação e entendimento entre técnicos e jogadores precisa ser levado em consideração quando se fala no Barcelona e em qualquer equipe. E conforme mencionado anteriormente, o escrete catalão poderia ter saído do Camp Nou com uma boa vantagem para o jogo de volta da segunda fase (ou dezesseis avos de final) da Liga Europa. Mesmo jogando de maneira apática e sem tanta intensidade no primeiro tempo. O que se via em campo era o costumeiro 4-3-3 de Xavi Hernández que trazia Mingueza e Jordi Alba nas laterais, Frenkie de Jong jogando na sua na frente da zaga e Nico González e Pedri encostando em Traoré, Aubameyang e Ferran Torres. Do outro lado, Luciano Spalletti apostava num 4-2-3-1 que marcava em bloco mais baixo e tentava fechar a entrada da área. Zielinski, Osimhen, Elmas e Insigne se movimentavam bastante na frente.

Barcelona vs Napoli - Football tactics and formations

Xavi Hernández manteve o 4-3-3 no Barcelona e Luciano Spalletti apostou num 4-2-3-1 no Napoli. Destaque para as atuações de Zielinski e Di Lorenzo no escrete italiano.

A falta de objetividade do Barcelona podia ser facilmente notada nas chances desperdiçadas por Ferran Torres. Por mais que o camisa 19 tenha sido sim uma das principais armas ofensivas da equipe blaugrana na partida, os erros nas conclusões a gol influenciaram demais no resultado final e também na maneira como seus companheiros de equipe se comportavam. A impressão que ficava era a de que todos pensavam que uma nova oportunidade surgiria e alguém conseguiria “colocar a bola na casinha”. Só que essa intensidade baixa se refletia na recomposição defensiva. Zielinski conseguiu acionar Osminhen às costas de Mingueza antes de armar o contra-ataque que resultou no gol do Napoli aos 29 minutos do primeiro tempo. Embora jogasse com as linhas mais baixas, o escrete de Luciano Spalletti conseguia encaixar boas arrancadas na direção do gol de Ter Stegen.

Zielinski puxa o contra-ataque após mais grande chance desperdiçada por Ferran Torres em boa amostra da movimentação ofensiva do Napoli. Por mais que o Barcelona estivesse organizado, os problemas nas transições defensivas eram nítidos. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

O Barcelona conseguiu chegar ao empate (aos 13 minutos da segunda etapa) depois que o VAR acusou penalidade de Juan Jesus após cruzamento de Adama Traoré. Mas a equipe blaugrana só melhorou de verdade depois que Xavi Hernández mandou Gavi, Busquets e Dembélé para o jogo nos lugares de Nico González, Frenkie de Jong e Traoré respectivamente. Do outro lado, o Napoli apenas se fechava no seu campo, baixava suas linhas, povoava a entrada da área (com Kévin Malcuit e Mário Rui se somando à última linha defensiva) e esperava o tempo passar. É preciso lembrar que as saídas forçadas de Zielinski e Anguissa prejudicaram bastante o time de Luciano Spalletti. Com Luuk de Jong e Dest em campo (nos lugares de Aubameyang e Mingueza), o Barça ganhou a profundidade que faltava pelos dois lados do campo, mas seguia desperdiçando chances impressionantes de virar a partida.

O time de Xavi Hernández ganhou mais volume de jogo com as substituições e conseguiu criar ótimas oportunidades de virar o jogo no Camp Nou. O problema estava na falta de pontaria e na noite completamente infeliz de Ferran Torres. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Se faltou objetividade no primeiro tempo, faltava pontaria e também aquela dose de sorte para todo o time. Principalmente Ferran Torres. Aliás, este que escreve ainda busca as palavras para descrever a apresentação do camisa 19 do Barcelona nesta quinta-feira (17). Pode ser que seja o caso daquele famoso “banho de manjericão” para afastar os maus fluidos e todo tipo de energia ruim que esteja por perto do atacante espanhol. Mas também é o caso de se aprender com os erros. Assim como todo o time blaugrana. Por mais que Xavi Hernández tenha conseguido potencializar o talento de jovens como Gavi, Pedri, Nico González e outros, a equipe ainda precisa de um senso de coletividade que só vira com o tempo, paciência e treinamento. Mesmo assim, as boas chegadas de Jordi Alba, Aubameyang e Ferran Torres indicam que o Barcelona está num caminho interessante.

Por maior que tenha sido a falta de sorte do Barcelona, é preciso dizer que o confronto por uma vaga nas oitavas de final da Liga Europa ainda está aberta. O Napoli entrou em campo para conseguir esse empate e saiu feliz do Camp Nou. Ao escrete de Xavi Hernández resta apenas a superação e a força coletiva necessária para conseguir o resultado na Itália e não amargar mais um fim de temporada sem títulos importantes. As lições do jogo desta quinta-feira (17) falam por si só.

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