E se fosse sempre dia?


Vamos partir de uma premissa realista. A Lua permanece sempre com a mesma face virada para a Terra. Esse fenômeno se chama “travamento de maré”: nosso satélite natural gira em torno de si (rotação) exatamente no mesmo ritmo em que ela gira em torno da Terra (translação). 

Existem planetas assim. Eles possuem um hemisfério virado para a estrela, em que é sempre dia, e outro em que é sempre noite. Não há estações ao longo do ano, naturalmente. Vamos imaginar um planeta travadão de dimensões similares às da Terra, localizado na zona habitável de sua estrela. Essa é a maneira mais plausível de se obter um dia eterno no Universo como o conhecemos. 

A temperatura no lado diurno ultrapassa facilmente os 100 °C. A água evapora e o calor torna a pressão atmosférica baixíssima. No lado oposto, estamos falando em uns 100 °C negativos. Além do congelamento completo, a pressão atmosférica aumenta.

Não é possível falar em temperaturas exatas: simulações de computador demonstram que, dependendo das características da atmosfera dessa planeta, a circulação de calor entre hemisférios poderia variar um bocado (bem como a retenção de calor pelo planeta como um todo, o conhecido efeito estufa). Por exemplo: um pouco do calor do lado veranil poderia aliviar a barra do lado gelado, equilibrando os termometros. 

Desnecessário dizer que, com exceção de  microorganismos extremófilos, a vida é inviável tanto no deserto frio como no quente. É rocha de um lado e gelo do outro. Porém, pode ser que um planeta assim, como o da ilustração acima, tenha uma faixa intermediária habitável, de eterno crepúsculo. As temperaturas amenas permitiriam água líquida e vida nesse anel. 

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As diferenças meteorológicas geram ventos fortíssimos entre os hemisférios. Eles ocorrem porque o ar circula entre áreas com diferentes pressões e temperaturas. Quanto maiores as diferenças, pior o vento. 

Se nosso planeta adotasse essa configuração repentinamente, seria um caos. Quase todos os seres vivos da Terra foram regulados pela seleção natural para operar de acordo com o dia e a noite, para não falar nas estações do ano (perceptíveis, por exemplo, na mudança da duração dos dias, mais curtos no inverno).

O hormônio melatonina, por exemplo, sinaliza o anoitecer, enquanto o cortisol nos prepara para a vigília. Nós temos um relógio biológico molecular que se ajusta com base na presença ou ausência de luz. 

Seres vivos que tivessem evoluído nesse ambiente, porém, teriam hábitos bem diferentes dos nossos, talvez sem os ciclos fixos de atividade e descanso que conhecemos.

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