Impacto de eleição de Lula no mercado abre divergência entre Guedes e Campos Neto


Declarações recentes do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizando que o mercado já estaria precificando uma eventual vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano abriram uma divergência entre ele o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Interlocutores de Guedes disseram à CNN que ele ficou extremamente incomodado com a avaliação de Campos Neto por considerá-la equivocada. Guedes teria dito que se Campos Neto falou isso, ele está muito errado.

Segundo essas fontes, o ministro tem dito que as primeiras declarações de Lula e do seu entorno no sentido de revogação da reforma trabalhista e defendendo o fim do teto de gastos e da autonomia do Banco Central foram péssimas e repercutiram negativamente no mercado.

Para o ministro, esse impacto negativo fez o petista reorganizar seu discurso para diminuir o receio do mercado a um novo governo Lula, reafirmando, por exemplo, compromissos fiscais. Ao comentar a ala de Campos Neto, interlocutores de Guedes afirmaram que ele, irritado, teria dito que na economia não tem nada de Lula precificado.

O presidente do Banco Central deu as declarações em entrevista à jornalista Miriam Leitão, da Globo News: “o que a gente pode comentar é o que a gente captura nos preços de mercado. Nos preços de mercado, o que tem acontecido mais recentemente é uma eliminação de vários preços que mostram o risco da passagem de um governo para outro. Mais recentemente, a gente vê, quando olha esses preços, que eles atenuaram. Caíram um pouco. Significa que o mercado passou a ser menos receoso da passagem de um governo para o outro. Isso é o que a gente pode interpretar. Porque provavelmente um governo que representava um risco de medidas mais extremas está se movendo para o centro. Essa é a nossa interpretação do que a gente captura nos preços de mercado”, disse Roberto Campos Neto.

Nesta quinta-feira (17), o banco Credit Suisse divulgou um relatório apostando que, caso Lula vença, será pragmático, promoverá reformas e protegerá regras fiscais. Até agora, Lula tem se recusado a delinear as linhas do que seria seu programa econômico caso vença as eleições.

Economistas petistas têm dito à CNN que há dois consensos no PT. Um, o de que é necessário retomar os investimentos. Outro, de que é preciso rever o arcabouço fiscal. Mas os sinais param por aí, pois há divergência sobre os caminhos para se atingir esses objetivos. Lula também tem evitado conversar com o mercado, apesar de alguns de seus fiéis aliados terem feito essa interlocução e repassado a ele as preocupações do setor.

Esse movimento tem sido simultâneo à elaboração, pelo Ministério da Economia, de uma medida provisória que acena ao mercado. O texto, cuja minuta já está pronta e deve ser lançada em 15 dias, prevê a desoneração de uma alíquota de 15% que incide sobre a aquisição, por estrangeiros, de títulos da dívida privada. Na prática, ela facilita a captação de recursos estrangeiros para empresas brasileiras.

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto pela TV e por todas as plataformas digitais.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Impacto de eleição de Lula no mercado abre divergência entre Guedes e Campos Neto no site CNN Brasil.


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