Tarsilinha do Amaral: “Tarsila foi uma mulher corajosa, à frente do seu tempo”


“Uma mulher à frente do seu tempo e muito corajosa. Era preciso muita coragem para fazer uma obra como essa”, afirma Tarsilinha, sobrinha-neta da artista Tarsila do Amaral, enquanto aponta para o quadro “Antropofagia” (1929) durante essa entrevista para a CNN, que traz nesta semana uma série de reportagens especiais sobre a Semana de Arte Moderna de 1922.

Nos últimos 20 anos, Tarsilinha se dedica exclusivamente ao legado da tia dentro e fora do Brasil. Não à toa, os mais recentes acontecimentos foram grandiosos: em 2019, por exemplo, o Museu de Arte de São Paulo (Masp), recebeu um público recorde durante uma mostra dedicada à artista e, no ano seguinte, o quadro “Caipirinha” foi comprado por R$ 57,5 milhões em um leilão, transformando Tarsila na artista brasileira mais valorizada do mundo.

Nesta entrevista, Tarsilinha revela algumas curiosidades sobre a relação de Tarsila e Oswald de Andrade, com quem ela teve um relacionamento, além de como surgiu o nome de um dos quadros mais conhecidos da artista, o “Abaporu” (1928).

“Tarsila dá a obra de presente para Oswald. Ela queria dar que algo que o impressionasse e imagino que não deveria ser muito fácil. Oswald era uma pessoa com muita personalidade, engraçado, culto, inteligente. Ela se supera: hoje Abaporu é um dos quadros mais importantes da arte brasileira”, conta.

“E quando Oswald vê o quadro, ele fica muito emocionado – logo escreve o Manifesto Antropófago, e depois funda o Movimento Antropofágico. E o interpreta dizendo que parece um homem que come gente. Tarsila então lembra de um dicionário tupi-guarani que o pai dela tinha. Lá, encontra as palavras ‘aba’, que significa homem, e ‘poru’, que quer dizer comer. Eles acharam que unir essas duas palavras ia ficar legal e criaram o Abaporu.”

Assista ao vídeo completa da entrevista com Tarsilinha do Amaral.

Aproveite para ouvir o episódio “Modernismo: pra quem e por quem?”, da série de podcasts da CNN sobre a Semana de Arte Moderna de 1922:

O que é moderno? O que é arte? O que é brasileiro? O quarto episódio do podcast conta que, na primeira fase do modernismo, as discussões foram protagonizadas por pessoas brancas, herdeiras dos barões do café. O Brasil dos anos 1920 era um país ainda rural, mestiço e que tinha abolido a escravidão há menos de 40 anos. Pelas lentes de hoje, a procura pela “alma brasileira” alçada por artistas que tinham pouco contato com a população periférica pode ser interpretada, segundo pesquisadores, como folclórica e até como uma apropriação cultural.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Tarsilinha do Amaral: “Tarsila foi uma mulher corajosa, à frente do seu tempo” no site CNN Brasil.


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