Sem federação, PT e PSB podem ter palanques diferentes em SP, diz Márcio França


Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (10), o ex-governador Márcio França (PSB-SP) admitiu a possibilidade de que, caso não seja formada uma federação partidária entre PT e PSB para as eleições deste ano, o estado de São Paulo pode contar com candidaturas diferentes de ambos os partidos na disputa ao governo estadual.

França está no centro de um impasse envolvendo as duas legendas, que tem São Paulo como um dos principais entraves a um entendimento. Isso porque o PT, do ex-presidente Lula, quer a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado, enquanto o PSB defende o nome de Márcio França. No entanto, a partir do momento em que se fecha uma federação, apenas um candidato pode ser lançado.

“Se não houver federação, podemos ter duas candidaturas e vamos para os debates, vamos ver quem consegue se sair melhor nos debates e quem vai demonstrar que conhece mais o estado de São Paulo”, disse o ex-governador. “Nas duas últimas eleições do estado, disputei as duas e o PT foi meu adversário. Nas duas eleições eu cheguei na frente”, completou.

França deu detalhes de como ele acredita que esse impasse deve ser solucionado não só em São Paulo, mas também em outros estados em que há divergência de candidaturas. De acordo com o ex-governador, a escolha do nome pode ser decidida através do resultado de pesquisas eleitorais.

“Ficou combinado que nos lugares onde houvesse uma divergência mais profunda e consistente, que a gente faria algum tipo de pesquisa de avaliação para vem quem está na frente e que será o candidato. Esse era o combinado”, afirmou.

O pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB reforçou que se preparou para a disputa estadual e que não pretende abrir mão de sua candidatura. “Eu topo essas avaliações e ao contrário do que falam eu não imagino que vou ter que deixar de ser candidato. Acho que para efeito do estado de São Paulo, em qualquer momento que se testar, eu vou estar à frente da disputa e serei o candidato”, ressaltou.

Outra possibilidade discutida com o PT, de acordo com França, foi a de que o partido que detém o comando de cada estado seja o responsável por definir o apoio nas eleições deste ano. Dessa maneira, os estados governados pelo PT teriam candidatos petistas, e os que possuem governadores do PSB teriam nomes do partido na disputa.

“Respeitamos a forma de pensar do PT e queremos ser respeitados com essa nossa forma de pensar que é diferente da deles”, afirmou.

Alckmin como vice de Lula

No atual cenário, as negociações para a composição de uma chapa entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) estão avançando. O petista chegou a declarar a aliados que a eleição será difícil, sendo fundamental realizar acenos aos partidos de centro e não apenas à esquerda. A ideia é que Alckmin se filie ao PSB para compor a chapa com o ex-presidente.

Na visão de Márcio França, essa possibilidade seria vantajosa para a candidatura do petista. “A ideia do Alckmin ser vice do Lula não era por ele estar no PSB, era porque entendiam que ia ser bom para a candidatura do Lula. Seria um movimento para mostrar que Lula é amplo, não é estreito nem radical como falam.”

O ex-governador entende que o candidato do PT, que lidera as pesquisas de intenção de votos, tem tudo para se consagrar como vencedor na disputa pela Presidência da República, no entanto, deve manter a humildade e não arriscar para que o resultado seja concretizado.

“O que eu acho é que existem 20 portas, e dessas 20 portas em 19 delas a chance do ex-presidente Lula se eleger é muito grande. Não se pode pegar a vigésima porta, que é aquela em que há a sensação de que já ganhou”, avaliou França.

Segundo ele, Alckmin foi “expurgado do PSDB por João Doria e pelo grupo que comanda o PSDB em São Paulo”. O ex-governador ainda considerou que a federação partidária é quase uma “pré-fusão” entre legendas, e que a decisão sobre esse assunto deve ser tomada com cautela por ser uma “consolidação da política” nos próximos quatro anos.

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

Veja a entrevista completa no vídeo acima 

Este conteúdo foi originalmente publicado em Sem federação, PT e PSB podem ter palanques diferentes em SP, diz Márcio França no site CNN Brasil.


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