Estudo confirma a presença de um segundo asteroide troiano na órbita da Terra


A Terra acaba de descobrir uma companhia na sua trajetória ao redor do Sol: o asteroide 2020 XL5, que compartilha a mesma órbita do nosso planeta. Ele foi avistado pela primeira vez no final de 2020, e desde então os astrônomos suspeitam que ele pudesse estar nos “seguindo”. A descoberta foi confirmada em um artigo publicado ontem (01) no periódico Nature Communications. Isso faz dele o segundo asteroide troiano terrestre já descrito.

Por definição, os asteroides troianos (ou “trojans”) são aqueles que compartilham mesma a órbita de um planeta. Existem 11 mil deles na órbita de Júpiter (a Nasa inclusive enviou uma sonda que deve estudá-los ao longo de 12 anos). Netuno tem 32 asteroides troianos, Marte tem nove e Urano tem um.

Até agora, os astrônomos só conheciam um asteroide troiano na órbita da Terra: o 2010 TK7, confirmado em 2011. A descoberta de um segundo asteroide desse tipo sugere que talvez existam mais deles por aí – e nós só não conseguimos detectá-los ainda.

Mas pode ficar tranquilo: não há perigo de nenhum deles se chocar com a Terra. Eles ficam presos em regiões chamadas pontos de Lagrange. Todo sistema de interação entre dois corpos (nesse caso, a Terra e o Sol) possui cinco regiões em que as forças gravitacionais se equilibram. Eles são representados pelas siglas L1, L2, L3, L4 e L5 na figura abaixo:

Ilustração mostrando os pontos lagrangianos da órbita terrestre.

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Tanto o asteroide 2010 TK7 quanto o 2020 XL5 estão no ponto L4, seguindo a Terra. Os pontos de Lagrange também são usados para estabilizar a órbita de satélites e telescópios. O telescópio James Webb, lançado pela Nasa no final de 2021, atingiu seu destino final e encontra-se estável no ponto L2.

Os asteroides não vão ficar nessas regiões para sempre. Estima-se que o 2010 TK7 permanecerá no ponto de Lagrange pelos próximos 15 mil anos. Já o 2020 XL5 irá durar 4 mil anos, quando outras forças gravitacionais devem tirá-lo da órbita terrestre.

O asteroide 2010 TK7 possui 300 metros de diâmetro, enquanto o 2020 XL5 chega a 1,18 quilômetros. Observações feitas com o Southern Astrophysical Research Telescope (SOAR), no Chile, mostraram que o 2020 XL5 é um asteroide do tipo C: rico em carbono. Esses asteroides estão entre os objetos mais antigos do Sistema Solar – o que faz deles excelentes alvos de estudo sobre a evolução do Sistema Solar e formação dos planetas.

Eles também podem ajudar os astrônomos a encontrar outros asteroides troianos na órbita terrestre. Graças à posição e ângulo em relação ao Sol, eles costumam ser difíceis de observar. Os pesquisadores pretendem estudar a órbita dos dois asteroides conhecidos a fim de desenvolver técnicas para detectar outros.

“Se nós conseguirmos encontrar mais troianos terrestres – e se algum deles tiverem órbitas com menor inclinação –, ir até eles pode se tornar mais baratos do que ir para a Lua”, disse o astrônomo Cesar Briceño, que participou do estudo, em comunicado. “Eles podem se tornar bases ideais para a exploração avançada do Sistema Solar, ou até se tornar fonte de recursos”.

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