Convocação da Seleção Feminina indica manutenção do modelo de jogo e busca por uma equipe mais física


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a lista divulgada nesta terça-feira (1) e as escolhas de Pia Sundhage para o Torneio Internacional da França

Talvez a grande notícia da convocação da Seleção Feminina para a disputa do Torneio Internacional da França seja o retorno de Luana. A volante do Paris Saint-Germain fez muita falta na disputa dos Jogos Olímpicos e, caso recupere a melhor forma física, pode formar uma bela dupla com Angelina no meio-campo brasileiro. Mas é preciso entender aqui que essa lista de jogadoras indica uma série de fatores importantes que devem ser levados em consideração na análise das escolhas de Pia Sundhage. As mais importantes (pelo menos na opinião deste que escreve) são a manutenção do modelo de jogo da treinadora sueca e a busca incessante por uma equipe mais física. Este último item explica (em parte) a presença de jogadoras como Duda, Kerolin e outras na lista de convocadas. Está claro que uma das grandes preocupações de Pia Sundhage é com o preparo físico da Seleção Feminina.

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Num âmbito geral, os nomes escolhidos pela treinadora sueca indicam esse caminho. Ainda que nomes como Marta, Debinha, Bia Zaneratto, Tamires e Letícia Santos (todas atletas de confiança de Pia Sundhage) marquem presença entre as convocadas, jovens valores como Fê Palermo e Thaís Regina (ambas do São Paulo) mostram que existe sim a intenção de se rejuvenescer a Seleção Feminina em alguns setores e encontrar a parceira ideal de Rafaelle no miolo de zaga por conta da lesão de Érika. Quem viu a entrevista coletiva desta terça-feira (1) após o anúncio das convocadas, percebeu que todas as respostas de Pia caminhavam no sentido de se encontrar equilíbrio sem que o talento seja prejudicado na Seleção Feminina.

É nesse cenário que entra a pergunta de “um milhão de dólares” feita pela amiga Taís Viviane (do sempre excelente Planeta Futebol Feminino) por conta da convocação de Duda e seu posicionamento no meio-campo da Seleção Feminina. Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França e várias outras equipes mais fortes do que o Brasil na modalidade (a nível mundial) possuem volantes muito qualificadas no trato com a bola e muito físicas, isto é, fortes na marcação e com condições de vencer duelos contra suas adversárias. Meia de origem, a jogadora do Flamengo passou a ser utilizada mais por dentro nas últimas partidas do escrete canarinho. Sobre isso, Pia Sundhage deu a seguinte resposta:

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Este que escreve tende a concordar com Pia Sundhage quando ela fala sobre a maneira como cada jogadora se encaixa nesse modelo de jogo. Torneios de “tiro curto” como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e a Copa América exigem concentração e adaptação rápida. E o encaixe rápido num modelo de jogo sólido propicia um entendimento mais rápido dos conceitos trabalhados e uma melhor execução. Por outro lado, a tal “pergunta capciosa” mencionada pela treinadora sueca acabou não sendo respondida. Está bem claro (pelo menos para este que escreve) que Pia está em busca de meio-campistas mais fortes e mais trabalhadas para vencer os duelos físicos. A participação da equipe em Tóquio mostra muito bem essa mudança de posicionamento de Duda. A jogadora do Flamengo jogou mais aberta pela direita, ajudou Bruna Benites na marcação, liberou Marta para o ataque e fez bons jogos na Olimpíada.

Duda jogou pelo lado do campo nos Jogos Olímpicos, mostrou boa desenvoltura no ataque, ajudou a liberar Marta pelo outro lado e ainda foi importante na marcação. Uma das poucas que manteve a regularidade nas quatro partidas da Seleção Feminina em Tóquio. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

A eliminação para o Canadá nas quartas de final iniciou uma pequena mudança no critério de convocação das jogadoras para a Seleção Feminina. Se a equipe iniciou a partida contra o Canadá com Formiga e Andressinha, as últimas partidas nos brindaram com a presença de Angelina e Duda na frente da zaga com Kerolin e Ary Borges jogando pelos lados no costumeiro 4-4-2/4-2-4 da equipe brasileira. Difícil não perceber que Pia Sundhage está sim buscando jogadoras mais fortes para vencer os duelos físicos no meio-campo. Ao mesmo tempo, ela também tenta encontrar uma maneira de manter Marta no time sem ter que escalar a nossa Rainha numa posição onde não se sente confortável para mostrar aquilo que sabe.

A questão aqui é simples: para se ter a nossa camisa 10 em campo e sem muitas obrigações defensivas, a Seleção Feminina precisa de um meio-campo que compense isso. Nesse ponto, as escolhas de Ary Borges, Kerolin, Angelina e Duda seguem esse critério. Mais disposição no combate e na marcação e altíssima velocidade nas transições com Marta distribuindo o jogo no terço final. Podemos questionar algumas das decisões de Pia Sundhage sobre a presença desta ou daquela jogadora na lista de convocadas. Mas ter Duda entre as volantes convocadas indica justamente a resposta para a “pergunta capciosa” que não foi respondida na entrevista coletiva desta terça-feira (1). Mesmo com o retorno de Luana ao time.

Pia Sundhage manetve seu 4-4-2/4-2-4 na Seleção Feminina, mas mudou peças e optou por um meio-campo mais físico com Duda ao lado de Angelina por dentro e Kerolin e Ary Borges jogando pelos lados do campo. Tudo para liberar Marta das obrigações defensivas. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

É bom que se diga que, apesar de todas as críticas que possam ser feitas com relação ao trabalho de Pia Sundhage, o nível de competitividade da Seleção Feminina aumentou consideravelmente nos últimos meses. E tudo isso passa pela renovação implementada pela treinadora sueca. Angelina, a própria Duda, Ary Borges, Kerolin, Gio, Thaís Regina, Fê Palermo e várias outras jogadoras chamadas anteriormente e que não estão na lista de convocadas mostram que nunca faltou talento aqui por estas bandas. Falta apenas alguém que organize esse talento num time coeso, consistemte e competitivo. Podemos questionar, por exemplo, a ausência de Ivana Fuso (jogadora do Manchester United) e a presença de nomes já bem conhecidos de quem acompanha a modalidade aqui no Brasil e a utlização de jogadoras fora das posições onde rendem mais. Mas nunca dizer que o Brasil não é competitivo. Nunca mesmo.

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É bem possível que todos nós só tenhamos uma mínima ideia do trabalho de Pia Sundhage após a Copa do Mundo. Estamos vendo várias jogadora mais jovens recebendo as primeiras oportunidades e conhecendo o que é o ambiente de uma Seleção Brasileira desde já. E a tendência é vermos essa mesma equipe jogando num nível ainda mais alto nesse Torneio Internacional da França do que estamos acostumados. Isso porque já podemos afirmar que existe uma base bem trabalhada e que conhece o modelo de jogo da treinadora sueca. Podemos não concordar suas ideias e nem com alguns dos nomes chamados nesta terça-feira (1) e isso é mais do que natural. O que é certo é que Pia busca jogadoras mais físicas para aguentar o tranco dentro de campo e igualar o nível de competitividade contra equipes do primeiro escalão mundial já visando a preparação para a disputa da Copa América no meio do ano.

Deixo abaixo a excelente LIVE do planeta Futebol Feminino com a análise de amigos altamente competentes e conhecedores do assunto. Ainda há muita coisa para ser dita sobre a Seleção Feminina e sobre o modelo de jogo de Pia Sundhage. Mas o que todo mundo concorda é que o escrete canarinho evoluiu bastante nestes últimos meses. Ainda mais sabendo que as próprias jogadoras compraram as ideias da treinadora sueca e se sentem cada vez mais à vontade no time. E essa é a grande notícia.

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