Intensidade, movimentação e agressividade sem a bola: Flamengo deixa boas impressões na sua estreia na Brasil Ladies Cup


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o início de trabalho de Luis Andrade e a atuação da sua equipe contra o River Plate neste domingo (12)

O português Luis Andrade teve apenas quatro dias de trabalho no Flamengo entre o anúncio oficial e a estreia do clube na Brasil Ladies Cup. No entanto, por mais que o confronto contra o River Plate fosse complicado por todo o contexto (gramado sintético e bastante desgastado, final de temporada e uma série de outros problemas já relatados anteriormente), é preciso dizer que o Mais Querido do Brasil deixou boas impressões. A vitória por 2 a 0 foi construída em cima de algumas ideias que já puderam ser notadas no escrete rubro-negro. Intensidade, movimentação ofensiva e muita agressividade sem a bola foram algumas delas. Mas o principal talvez seja o ajuste no posicionamento de Darlene dentro de uma formação que deve mudar muito na próxima temporada. Seja como for, o Flamengo deixa a sensação de que o ano de 2022 pode ser muito melhor do que o de 2021 no futebol feminino. A conferir.

Mas é preciso dizer que o time demorou para “entrar no jogo” de vez em Santana de Parnaíba. Isso porque o River Plate ocupava bem os espaços e o escrete rubro-negro ainda está no processo de compreensão e execução das ideias táticas do seu treinador. Mas algumas coisas já podiam ser notadas. Stella se posicionava na base do meio-campo, Andressa e Darlene se posicionavam um pouco mais à frente com Rafa Barros e Jayanne abrindo o campo e Dani Ortolan arrastando a zaga adversária para trás. Depois de Del Trecco perder chance incrível de abrir o placar a favor do River Plate logo aos quatro minutos (após bela jogada de Montenegro pela esquerda) e criou pelo menos mais três boas oportunidades de abrir o placar com chutes de longa distância e bolas levantadas na área. De chances concretas para o Flamengo, apenas uma dividida entre Dani Ortolan com a goleira Esponda e a cobrança de falta de Darlene que parou no travessão.

Luis Andrade montou o Flamengo num 4-2-3-1/4-3-3 com Darlene e Andressa um pouco mais recuadas, Rafa Barros e Rayanne abrindo o campo e Dani Ortolan dando profundidade nas jogadas de ataque. O time sentiu um pouco no início do jogo e o River Plate criou boas chances de gol. Foto: Reprodução / YouTube / GE

O intervalo acabou fazendo muito bem ao Flamengo, já que Luis Andrade pôde ajustar o posicionamento das suas jogadoras sem a bola. Rafa Barros e Jayanne permaneceram pelos lados do campo, mas centralizavam e abriam o corredor para as descidas de Rayanne e Sorriso ao ataque. Além disso, Darlene passou a jogar mais próxima de Dani Ortolan num 4-4-2 mais nítido na segunda etapa. Com mais gente no ataque, mais agressividade sem a bola e as linhas de marcação mais altas, o escrete rubro-negro jogou o ritmo do jogo lá em cima com boas jogadas pelos lados e bom aproveitamento dos passes longos às costas do meio-campo do River Plate. A jogada do belo gol de Darlene nasceu de passe de Cida (que foi muito bem como zagueira construtora) para Dani Ortolan se projetando entre as linhas adversárias. A camisa 19 apenas esperou o momento certo para deixar a capitã rubro-negra em plenas condições de abrir o placar.

O Flamengo voltou do intervalo mais ajustado, mais agressivo sem a bola e com as suas linhas mais adiantadas. Cida faz o passe que acha Dani Ortolan entre as linhas adversárias. A camisa 19 apenas espera Darlene atacar o espaço para fazer o passe no lance do primeiro gol rubro-negro. Foto: Reprodução / YouTube / GE

Vale lembrar que Rayanne já havia acertado o travessão no início do segundo tempo e que todo o time do Flamengo parecia mais à vontade em campo antes mesmo do gol de Darlene. A mesma camisa 11 acertou novamente o travessão após bola roubada no meio-campo. Mas fato é que a vantagem no placar (como era de se esperar) deu um pouco mais de tranquilidade ao time de Luis Andrade. O segundo gol veio aos 15 minutos após cruzamento de Sorriso do lado direito que encontrou Dani Ortolan dentro da área. Daí para o final do jogo, o Flamengo foi administrando a vantagem e mostrando um pouco dos conceitos trabalhados por Luis Andrade nesse curto período de treinamentos. Se o escrete rubro-negro melhorou muito a sua pressão pós-perda, o sistema defensivo também ganhou bastante consistência com duas linhas com quatro jogadoras bem fechadas na frente da área da goleira Kaká e Darlene pronta para puxar os contra-ataques.

Os gols de Darlene e Dano Ortolan deram mais tranquilidade ao Flamengo no jogo contra o River Plate. Luis Andrade ajustou a pressão pós-perda e organizou melhor o seu sistema defensivo com duas linhas na frente da área, muita compactação e muito mais concentração por parte das jogadoras. Foto: Reprodução / YouTube / GE

É verdade que o trabalho de Luis Andrade ainda está no começo. O processo de entendimento entre o treinador e as jogadoras rubro-negras deve passar por muitas etapas antes de chegar em algo próximo do ideal. E para que isso aconteça, é preciso dar tempo e ter paciência para que as coisas aconteçam. Por outro lado, a atuação do Flamengo na vitória sobre o River Plate (principalmente no segundo tempo) deixou boas impressões. Cida foi importante como zagueira construtora com ótimos passes, Sorriso sempre levou perigo nas jogadas de bola parada, Dani Ortolan foi tormento constante para a dupla de zaga adversária, Rafa Barros e Jayanne exerceram bem suas funções pelos lados do campo e Darlene comandou o time com muita visão de jogo e ótimos passes no terço final. Falta ainda acertar o posicionamento defensivo e corrigir algumas tomadas de decisão. Mesmo assim, o Fla parece estar no caminho certo.

A estreia na Brasil Ladies Cup (diante de todo o contexto já levantado por este que escreve) também serviu para que Luis Andrade pudesse fazer suas primeiras observações no grupo do Flamengo. É bem possível que a equipe sofra muitas modificações na temporada de 2022 e ganhe ainda mais reforços. Mas é sempre bom ter uma base forte para iniciar os trabalhos e iniciar a compreensão de um modelo de jogo que vai exigir muito das jogadoras.

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