Com passagens por Flamengo, Fluminense e Botafogo, “Bora Milutinovic” brasileiro está livre no mercado


Arthur Bernardes está livre no mercado após trabalhar em clubes da Tailândia e Síria

Aos 66 anos de idade, o técnico Arthur Bernardes, é conhecido no mundo do futebol como “Bora Milutinovic” brasileiro – referência ao técnico sérvio que esteve presente em cinco Copas do Mundo: 1986, 1990, 1994, 1998 e 2002.

A princípio, as semelhanças entre Bora e Arthur estão na busca pelo conhecimento em áreas correlacionadas ao futebol como biomecânica, neurociência, gestão esportiva, finanças e jornalismo.

Arthur, hoje sem clube, tem todos os cursos da CBF Academy. E nesse período fora do mercado não para de buscar conhecimento. O treinador estuda alemão e francês. E, é fluente em idiomas como o inglês, espanhol e árabe – fruto de anos de trabalho no Oriente Médio.

“O mercado do futebol exige técnicos mais bem preparados. Atualmente, o profissional que se limita a comandar treinos táticos, técnicos e coletivos não se emprega em lugar nenhum. Hoje, é preciso ter conhecimento de todas as áreas ligadas ao departamento de futebol. Por isso, não abro mão de estar estudando o tempo todo para estar bem preparado”, revelou ao Torcedores.com.

Arthur Bernardes acumula passagens por grandes clubes brasileiros

Arthur Bernardes se define como um profissional inquieto. Após iniciar a carreira como preparador físico nas divisões de base do Madureira, em 1988, o treinador comandou o Atlético-MG, Fluminense, Flamengo, Botafogo, Bahia, Goiás, entre outros.

Em 1995, o treinador dirigiu o Flamengo junto com o radialista Washington Rodrigues. Na época, Apolinho pediu demissão da Rádio Globo para comandar seu clube de coração. E convidou Arthur Bernardes para auxilia-lo nesta missão.

Juntos comandaram um time estrelado com Sávio, Romário e Edmundo que foi vice-campeão da Supercopa da Libertadores de 1995. Além disso, livrou o time do rebaixamento no ano do centenário rubro-negro.

Seu último trabalho de maior destaque no futebol brasileiro quando trabalhou nas divisões do Athletico Paranaense. Lá, formou uma das gerações mais vitoriosas da história do clube tendo Weverton, Léo Pereira, Renan Lodi e Bruno Guimarães, como seus comandados.

Arthur Bernardes tem uma trajetória longa no mundo da bola. No entanto, luta para conseguir reconhecimento no futebol brasileiro. Com experiência nos quatro continentes do mundo, ele tem optado em abraçar projetos ambiciosos longe de casa.

“Não sou um exigente quando estou negociando meus contratos, mas o mínimo que espero é organização, comprometimento e o cumprimento do que foi acordado. Infelizmente não é sempre que isso acontece por aqui. Os dirigentes contratam os profissionais, prometem mundos e fundos e não cumprem. E ainda tem as cobranças por resultados em um espaço curto de tempo. Hoje, meu trabalho é mais reconhecido no exterior do que aqui no Brasil”, desabafou o treinador.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o “Bora Milutinovic” brasileiro passou a limpo a carreira, relembrou as passagens pelos principais clubes que trabalhou e projetou seu futuro no futebol: “Quero comandar uma seleção”.

Trabalhos no exterior

“É sempre um grande desafio trabalhar fora do Brasil. No entanto, me sinto preparado para trabalhar em qualquer país porque estou sempre antenado no que acontece no exterior. Procuro, sempre antes de acertar com qualquer clube, buscar informações sobre a estrutura local, investimentos, política, cultura e questões sociais. Atualmente, o profissional que se limita a comandar treinos táticos, técnicos e coletivos não se emprega em lugar nenhum. Hoje, é preciso ter conhecimento de todas as áreas ligadas ao departamento de futebol. Por isso, não abro mão de estar estudando o tempo todo para estar bem preparado”.

Falta de espaço para brasileiros no exterior

“Começamos a perder espaço quando o então presidente da UEFA, Michel Platini, começou a exigir que todos os técnicos tivessem uma carteira de profissional emitida pela UEFA. Posteriormente, isso foi se espalhando até chegar em países asiáticos como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Japão e China. Isso globalizou o mercado e esvaziou o profissional brasileiro porque nunca tivemos a atenção necessária para ganhar mais conhecimento. A partir daí a CBF começou a organizar cursos que são excelentes, mas que ainda não são reconhecidos pela FIFA. Fora que o conceito que o mercado europeu tem é que o Brasil é um produtor de atletas, mas não de treinador, coisa que eu discordo”.

Falta de reconhecimento no mercado brasileiro

“Para mim é muito difícil, porque os clubes não conseguem ter um entendimento que eu adquiri ao longo dos anos sobre neurociência, bioquímica, a parte de anatomia que sempre me deu suporte e é uma ferramenta que uso muito até hoje. Além das outras modalidades no qual eu trabalhei, porque não tem como você ser um treinador melhor se não estudar, e quando eu falo de estudo é estudar tudo mesmo. A verdade é que falta boa vontade porque muitas vezes o argumento que me dizem é porque eu estou fora do país e do mercado. Me explica como eu posso está fora do mercado, se ele é globalizado? Isso eu não entendo, falta boa vontade”.

Falta de recursos no Fluminense

“Tive o privilégio de formar um dos melhores times do Fluminense. Na época, não havia muitos recursos para contratar e montei uma base forte com Ricardo Pinto, Lira, Paulo Afonso, Renê Weber, Sérgio Manoel, Bobô e Ézio. Não foi um grupo que deu títulos ao clube, mas era um time difícil de ser batido e que jogava bonito. Na época, nós tínhamos uma equipe difícil de ser batida nas Laranjeiras. Infelizmente a falta de recursos impediu uma campanha melhor no Brasileirão e acabei saindo do clube”.

Auxiliar de radialista famoso no Flamengo

“Eu tive a oportunidade de trabalhar com o Washington Rodrigues no ano do centenário do Flamengo. Ele, numa das maiores demonstrações de amor por um clube, abandonou a profissão para comandar o Flamengo. Não pensei duas vezes quando fui convidado pelo Apolinho para ser seu auxiliar. Não foi um convite. Aquilo foi uma convocação. Não é nada fácil trabalhar no Flamengo. Embora entre nós, o ambiente fosse bom, a gente sofria cobrança muito grande de dirigentes, torcedores e jornalistas. Era muita confiança no “Ataque dos Sonhos”, mas infelizmente não conseguimos conquistar um título pelo clube”.

Ninguém queria comandar o Botafogo

“O Botafogo vivia um momento delicado financeiramente e politicamente. Não havia legado após a conquista do Campeonato Brasileiro de 1995. Fui o terceiro técnico naquela temporada. Faltava tudo no clube: luz, gás, água e telefone. Os dirigentes faziam vaquinhas para arrumar o básico. Após as saídas do Abel Braga e do Ivo Wortmann, ninguém queria assumir o time porque os dirigentes tinham fama de mau pagador. Na época, aceitei o desafio de comandar o Botafogo no Brasileirão. E, após algumas rodadas, pedi demissão”.

Base forte no Athletico Paranaense

“Fui convidado por Mário Celso Petraglia para treinar o time sub-23 e fazer a transição dos atletas da base para o profissional. O presidente é envolvido com absolutamente tudo tanto que o clube tem uma das melhores estruturas do futebol brasileiro. Nessa função, pude lançar Weverton, Hernanne, Otávio, Marcos Guilherme, Douglas Coutinho e Marcelo Cirino. E depois lancei Santos, Léo Pereira, Renan Lodi, Bruno Guimarães, entre outros. Todos deram retorno esportivo e financeiro ao clube. E, por isso, considero um trabalho emblemático na minha carreira”.

Passagem por clubes da África, América do Sul, Ásia e Europa

“O futebol me deu a oportunidade conhecer o mundo. Me sinto gratificado por ter passado por todos esses continentes e ter trabalhado em equipes da Angola, Peru, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Coréia do Sul, Síria, Tailândia e Portugal. Acho que poucos treinadores no mundo tiveram a oportunidade de passar por tantos lugares. Chega em um determinado momento da carreira que o dinheiro é uma coisa secundária. Afinal, tive a oportunidade de levar alegria e esperança para muitos jogadores que nunca imaginavam que um dia seriam profissionais. Isso é muito melhor que qualquer título no futebol”.

Apelido de “Bora Milutinovic” brasileiro

“Antes de mais nada, é uma honra ser comparado a um dos maiores treinadores da história do futebol mundial. Afinal, o Bora não era só um treinador. Ele, antes de tudo, era um educador extremamente preocupado com a formação humana dos seus jogadores. Além disso, é um profissional extremamente estudioso como eu. Ele colheu tudo o que plantou e, por isso, se tornou uma referência no mundo do futebol. Afinal, não é qualquer técnico que dirige cinco seleções diferentes em uma Copa do Mundo”.

Planos para o futuro

“Eu ainda estou muito vivo para ser treinador, evidente que eu tenho capacidade para ser um diretor técnico ou de ser um gestor dentro de um clube. O meu planejamento é ainda trabalhar à beira do campo. São projetos que eu ainda tenho para pegar e levar os meus conhecimentos para as novas gerações. Além disso, faço planos para ficar à frente de um projeto ainda maior. Quero muito comandar uma seleção e ter a oportunidade comandar um trabalho que marque a vida das pessoas”. 

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